Ciência versos Economia

por Susana Lucas
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Li um artigo num Jornal Económico desta semana, de Almerinda Romeira, um tema que me fez refletir, “Há uma desconformidade entre a nossa ciência e a nossa economia” foi o alerta lançado pelo economista Daniel Beça, na sessão de abertura do IV Encontro Internacional da Casa das Ciências, que até esta quarta-feira decorre na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com a participação de cerca de 900 professores.

Foi referido que somos um país moderadamente (seja lá o que isso for…) inovador, estando acima da média de doutorados abaixo dos 35 anos… talvez por ser por vezes uma perspetiva de trabalho a curto prazo, digo eu.

É igualmente referido que são contratadas pessoas a mais para os recursos disponibilizados, será nas empresas ou nas instituições de ensino superior e investigação? É igualmente referido que os salários podem baixar aos 700 Euros, sendo referido que é um esforço excessivo para tão pouco resultado. Por fim refere os processos tanto em termos de políticas públicas como práticas empresariais individuais que considera serem as principais condicionantes existentes.

Agora vou fazer a minha reflexão.

Na minha perspetiva os doutorandos são usualmente alunos que finalizaram uma licenciatura e mestrado há pouco tempo. Se fossem para o mercado de trabalho convencional, não de ciência, quanto iriam receber para estagiar? Será que seria muito diferente do valor definido?

É referido que o doutoramento é um “esforço excessivo”, ora para mim ai é que está o problema! O Doutoramento não deve ser um esforço. Como fiz 2 considero que posso de alguma forma contribuir: um Doutoramento é um título académico atribuído para um trabalho de investigação e desenvolvimento, principalmente pessoal, que nos tem que dar muito prazer. Em nenhum dos doutoramentos que fiz existiu um esforço, mas sim um caminho de conhecimento que me cativou. E posso dizer mesmo que no primeiro dei um trabalhão ao meu orientador. Pois não sabia nada do que era investigação (mesmo já tendo feito trabalho de investigação desde o 3º ano da licenciatura pré-bolonha). Todo o trabalho tinha que ser aferido e controlado para me orientarem ao objetivo pretendido.

Aliás na época do meu primeiro doutoramento (já lá vão quase 20 anos) fui a um congresso que conheci colegas Suíços que me disseram que lá o mais comum era se fazer um Doutoramento. Para se ganhar experiência e método.

No segundo doutoramento ai foi pura necessidade de conhecimento. Queria e quero saber mais. Foi um caminho mais autónomo, porque já tinha alguma experiência do primeiro. Já sabia planear a investigação, desenvolver ferramentas e criar métodos.

Por fim o tema geral Ciência e Economia. A Ciência não deve estar fechada nos Doutoramentos, mas deve ter como base os Doutorados. Considero que a Economia podia e devia estar mais ligada à Ciência, mas numa forma mais simples, como na Suíça. Se se pretender uma carreira na Ciência a mesma pode ser efetuada em qualquer área empresarial. E ser mesmo uma carreira, que se começa por ser doutorando.

Fica a reflexão!

 

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