A competência que não vem nos manuais

by Susana Lucas
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Ao longo do meu percurso, tenho desenvolvido várias competências técnicas — metodologias, ferramentas, modelos estratégicos, gestão de projetos. Tudo isso é importante. Mas, se for totalmente honesta, há uma competência não técnica que considero uma das mais valiosas que tenho: a capacidade de chegar às pessoas.

Saber ouvir. Criar confiança. Estabelecer pontes.

É algo que não se aprende apenas em livros ou formações. Constrói-se na forma como estamos presentes, na coerência entre o que dizemos e fazemos, na disponibilidade genuína para compreender o outro antes de opinar.

Sinto que as pessoas confiam em mim. Confiam para partilhar ideias ainda em estado embrionário. Confiam para expor dúvidas, desafios, bloqueios. Confiam para pedir uma opinião honesta. E, mais do que isso, querem que eu faça parte do processo — que esteja ao lado delas a desenvolver projetos, a estruturar pensamento, a transformar intenções em ação.

Isso é profundamente gratificante.

Não encaro essa confiança como algo garantido. Vejo-a como uma responsabilidade. Quando alguém nos convida a entrar no seu processo criativo ou estratégico, está a abrir espaço vulnerável. E esse espaço merece respeito, compromisso e entrega.

É mesmo com grande satisfação que participo nesses momentos — a pensar em conjunto, a desafiar construtivamente, a acrescentar clareza, a organizar caminhos. Gosto de ver ideias ganharem forma. Gosto de ajudar pessoas a sentirem-se mais seguras nas suas decisões. Gosto de construir em parceria.

Porque, no fim, os projetos fazem-se de estratégia e execução — mas crescem verdadeiramente quando há confiança.

E essa, para mim, é uma das bases mais sólidas de qualquer colaboração.

 

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