A ideia de que a curiosidade está no início da construção do conhecimento, defendida por Alexandre Quintanilha, faz-me pensar naquilo que nos leva a aprender. Numa intervenção sobre ciência e decisão política, o investigador explicou precisamente essa ligação entre a curiosidade humana e o processo de conhecer. Fonte: SBPC.
Identifico-me com esta perspetiva. Muitas aprendizagens começam com uma pergunta aparentemente simples: porque acontece isto? Como funciona? Será possível fazer de outra maneira?
Mas acrescentaria outra possibilidade: também podemos ser movidos pelo fascínio pelo conhecimento.
Há momentos em que nem sequer temos uma pergunta bem formulada. Ouvimos alguém explicar um fenómeno, observamos uma solução ou lemos uma ideia e sentimos vontade de continuar. Percebemos que existe ali qualquer coisa que merece a nossa atenção, mesmo sem sabermos ainda onde nos vai levar.
A curiosidade pode levar-nos a procurar uma resposta. O fascínio pode fazer com que, depois de a encontrarmos, continuemos a estudar. Porque cada explicação abre novas possibilidades e nos permite ver relações que antes passavam despercebidas.
Na minha área, isso acontece quando olhar para um edifício deixa de ser apenas observar paredes, coberturas e revestimentos. Começamos a reconhecer decisões, comportamentos dos materiais, sinais de degradação e consequências da utilização. Quanto mais sabemos, mais elementos conseguimos interpretar — e mais dúvidas interessantes encontramos.
Como docente, gostava que os estudantes levassem consigo esta vontade de continuar a compreender. Os conteúdos e as ferramentas são importantes, mas a disponibilidade para aprender acompanha-nos muito para além de uma avaliação.
Isso exige espaço para perguntar, experimentar e admitir que ainda não sabemos. Exige também tempo para explorar assuntos cuja utilidade não é imediatamente evidente.
Nem tudo o que aprendemos precisa de ter aplicação no dia seguinte. Por vezes, o conhecimento começa simplesmente no prazer de perceber um pouco melhor o mundo. E esse prazer merece ser alimentado.
