Recentemente, preocupações com a logística, a competitividade regional e o desenvolvimento do interior nacional convergiram num só projeto: a instalação do primeiro porto seco em Portugal, na Guarda. Esta infraestrutura será muito mais do que um terminal aduaneiro — será um ponto nevrálgico de modernização, crescimento económico e atração de investimento.
O que é um porto seco?
Um porto seco, ou estação aduaneira do interior, é um terminal intermodal, conectado por rodovia ou ferrovia a um porto marítimo, funcionando como um elo de transbordo e despacho aduaneiro para cargas provenientes do mar.
Este tipo de infraestrutura permite centralizar serviços como armazenamento, consolidação e despacho alfandegário longe dos congestionados portos marítimos.
Por que escolher a Guarda?
- Localização estratégica: A Guarda encontra-se na confluência das linhas ferroviárias da Beira Alta e da Beira Baixa, com conexões diretas às autoestradas A23 e A25, e ligação natural a Espanha — tornando-se um ponto central e de fácil acesso ao centro da Europa.
- Infraestrutura existente: A cidade já dispõe da Plataforma Logística de Iniciativa Empresarial (PLIE), área preparada para atividades logísticas e industriais, com mais de 100 hectares.
- Gestão especializada: A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) assumiu a gestão do terminal ferroviário da Guarda, preparando o terreno para o funcionamento do porto seco.
Características previstas
- Início das obras: Em julho de 2025 arrancou a primeira fase das obras, com um investimento de cerca de 4 milhões de euros e prazo de conclusão estimado em nove meses.
- Infraestrutura moderna: Este terminal incluirá um edifício para serviços aduaneiros e inspeções, extensão de vias-férreas capazes de receber comboios de mercadorias até 750 metros, reforço do terrapleno para movimentar até 45 000 contentores por ano, segurança reforçada, videovigilância, báscula rodoviária e infraestrutura para contentores frigoríficos.
- Expansão prevista: A área inicial é junto à estação, mas a lei permite ampliar a estrutura conforme as necessidades logísticas.
Vantagens económicas e logísticas
- Custos e tempo reduzidos: A proximidade ao hinterland reduz tempo de transporte e custos de armazenagem, lead time e operações aduaneiras.
- Competitividade reforçada: Empresas importadoras e exportadoras beneficiam de menos custos logísticos e maior acessibilidade aos portos, melhorando a sua competitividade.
- Descongestão portuária: A transferência de parte do tráfego para o interior ajuda a aliviar os portos marítimos.
- Desenvolvimento regional: O projeto dinamiza a economia local, atrai investimento, potencia a criação de emprego qualificado e ajuda a fixar população no interior.
- Importância nacional: O porto seco da Guarda está inserido numa estratégia de posicionamento logístico nacional, com impacto positivo no PIB e na centralidade da região interior.
Oportunidades e desafios
- Visão ambiciosa – Este não deve ser apenas um terminal; deve ser motor de transformação, comparável a centros logísticos de referência na Europa.
- Coordenação institucional – O sucesso dependerá da articulação entre Estado, autarquia, AICEP, universidades, associações empresariais e APDL.
- Infraestruturas associadas – É essencial planeamento de acessos rodoviários, circulação de pesados e mitigação de impactos aos moradores.
- Escalabilidade futura – A área inicial cobre cerca de 22 000 m², com capacidade para 400 contentores, mas a estrutura deve permitir crescimento futuro.
O porto seco da Guarda representa um marco no desenvolvimento logístico nacional e na afirmação estratégica dos territórios do interior. Ao integrar ferrovia e rodovia, facilitar despachos aduaneiros, promover o transporte eficiente de mercadorias e incentivar o investimento, ele tem o potencial de posicionar a Guarda como um verdadeiro hub logístico transfronteiriço.
Este projeto não é apenas infraestrutural: é uma porta para uma nova era de crescimento económico, modernização e coesão territorial.
