A inquietante certeza de quem sabe tudo

by Susana Lucas
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Fazem-me sempre alguma confusão as pessoas que parecem saber tudo. Têm uma resposta pronta para qualquer assunto, uma explicação definitiva para qualquer problema e raramente deixam espaço para uma dúvida. Ainda estamos a terminar a pergunta e já nos estão a dar uma lição.

É por isso que me faz tanto sentido a frase: «O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento.» Circula frequentemente associada a Stephen Hawking, embora essa atribuição não esteja comprovada e existam formulações documentadas de Daniel J. Boorstin. A própria história da frase convida ao cuidado que ela recomenda: verificar aquilo que julgamos saber.

Todos desconhecemos uma quantidade imensa de coisas. Podemos conhecer profundamente uma área e precisar de ajuda para compreender outra. Podemos ter muitos anos de experiência e encontrar uma situação que nos obriga a rever o que dávamos por adquirido.

O que me inquieta é a certeza que fecha a conversa. Aquela atitude de quem ouve apenas o suficiente para preparar a resposta, desvaloriza uma pergunta e interpreta uma discordância como uma afronta. Nestas condições, torna-se difícil aprender em conjunto.

Dizer «não sei» exige, por vezes, mais segurança do que apresentar uma resposta imediata. Significa aceitar um limite e deixar aberta a possibilidade de o ultrapassar. «Preciso de perceber melhor» ou «posso estar enganado» são expressões que gostaria de ouvir com mais naturalidade nas escolas, nos locais de trabalho e no debate público.

Isso não significa que todas as opiniões tenham o mesmo fundamento. O estudo, a experiência e a evidência contam. Precisamos de reconhecer a competência de quem conhece um assunto e consegue explicar as razões das suas conclusões. Essa competência pode conviver perfeitamente com a consciência dos seus limites.

Também procuro aplicar esta exigência a mim própria. É fácil identificar a arrogância na voz dos outros e mais difícil reparar nas certezas a que nos agarramos. Há momentos em que uma ideia nos agrada tanto que deixamos de fazer perguntas sobre ela. Convém reconhecer essa tentação.

Na ciência, como na vida, aprender implica aceitar que uma explicação pode ser incompleta e que outra pessoa pode ajudar-nos a ver melhor. Uma conversa ganha profundidade quando existe espaço para escutar, fundamentar e reconsiderar.

Confio em quem consegue dizer o que sabe, explicar como o sabe e reconhecer o que ainda precisa de compreender. É com essas pessoas que sinto que uma conversa pode levar-nos a algum lugar.

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