“A inspiração existe, mas tem de nos encontrar a trabalhar.” – Pablo Picasso

by Susana Lucas
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Há frases que nos ficam a ecoar na cabeça, não porque sejam complicadas, mas porque dizem uma verdade simples e, ao mesmo tempo, desconfortável. Esta frase de Picasso é uma delas.

Durante muito tempo, romantizámos a ideia da inspiração: aquele momento quase mágico em que tudo se alinha, as ideias surgem claras e a vontade aparece sem esforço. Mas Picasso lembra‑nos de algo essencial — a inspiração não é um ponto de partida, é uma consequência.

É no fazer que as coisas acontecem. É quando começamos, mesmo sem grande vontade, mesmo com dúvidas, mesmo sem saber exatamente onde vamos chegar, que o processo ganha vida. Trabalhar, criar, escrever, planear, caminhar… tudo isso abre espaço para que a inspiração apareça.

Esta frase também fala de responsabilidade. De não esperarmos pelo “momento certo”, pela energia perfeita ou pelas condições ideais. Fala de compromisso com aquilo que queremos construir. Quando nos colocamos em movimento, quando criamos rotina e consistência, estamos a dizer à inspiração: podes aparecer, estou aqui.

Talvez seja por isso que as rotinas, por vezes tão pouco glamorosas, são tão importantes. São elas que sustentam o trabalho diário, silencioso, quase invisível, mas absolutamente transformador. E é nesse espaço que a inspiração gosta de entrar.

No fundo, Picasso recorda‑nos que criar — seja arte, projetos, ideias ou a própria vida — é menos sobre esperar e mais sobre agir. Começar. Mesmo que custe um bocadinho. Porque, muitas vezes, é a meio do caminho que a inspiração decide juntar‑se a nós.

 

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