Aprender a curvar sem abandonar as raízes

by Susana Lucas
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Há um provérbio japonês que nos diz que o bambu que sobrevive ao vento não é o mais duro da floresta, mas aquele que aprendeu a curvar-se sem abandonar as suas raízes.

Esta imagem fez-me pensar sobre aquilo que tantas vezes entendemos por força. Associamos a força à rigidez, à resistência e à capacidade de permanecer exatamente no mesmo lugar, independentemente do que aconteça à nossa volta. Contudo, talvez ser forte não signifique nunca ceder. Talvez signifique saber adaptar-nos sem perdermos aquilo que verdadeiramente somos.

O bambu dobra-se perante o vento. Acompanha o seu movimento, inclina-se e parece, por momentos, estar a ceder. Mas as suas raízes permanecem firmes. Quando a tempestade passa, volta a erguer-se.

Também nós enfrentamos ventos inesperados. Mudanças profissionais, dificuldades pessoais, projetos que não avançam como planeámos, decisões que não dependem apenas de nós ou caminhos que necessitam de ser repensados. Perante estas situações, podemos insistir em permanecer rígidos ou aprender a ajustar a nossa posição.

Adaptarmo-nos não significa desistir. Mudar de estratégia não é abandonar um objetivo. Escutar outras perspetivas não é perder convicções. Reconhecer que precisamos de fazer uma pausa, recuar ou seguir por outro caminho também não representa fraqueza.

Na ciência, na engenharia, no ensino e na própria vida, tenho aprendido que os caminhos raramente são completamente lineares. Existem propostas que precisam de ser reformuladas, equipas que nos obrigam a encontrar equilíbrios, ideias que crescem quando aceitamos transformá-las e circunstâncias que nos levam a descobrir possibilidades que inicialmente não conseguíamos ver.

Contudo, esta flexibilidade só é verdadeiramente possível quando conhecemos as nossas raízes: os nossos valores, os princípios que orientam as nossas decisões, aquilo em que acreditamos e o propósito que nos faz continuar. Podemos mudar os métodos, ajustar os prazos e reformular os percursos, sem abandonar o que consideramos essencial.

Há uma grande diferença entre sermos levados pelo vento e aprendermos a mover-nos com ele. No primeiro caso, perdemos a direção. No segundo, mantemos as raízes e encontramos a forma de resistir sem nos quebrarmos.

Talvez a verdadeira resiliência seja precisamente esta capacidade de permanecer inteiro, não através da rigidez, mas da flexibilidade. Saber quando resistir, quando ceder, quando mudar e quando voltar a erguer-nos.

Que nunca nos falte a flexibilidade do bambu para enfrentar os ventos da vida, nem raízes suficientemente profundas para nos recordarem quem somos e por que razão continuamos.

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