Todos os anos, quando chegam as férias de verão, surge a mesma questão para muitos pais: como encontrar o equilíbrio entre o descanso, a diversão e a aprendizagem?
Este ano decidi lançar um desafio aos meus filhos, a Lídia e o Gil. Ou melhor, doze semanas de desafios. A ideia é simples: uma missão por dia útil, com duração máxima de uma hora, permitindo-lhes ganhar entre 1€ e 2€ por tarefa concluída.
À primeira vista pode parecer apenas uma forma de ganharem algum dinheiro. Mas o verdadeiro objetivo é muito mais ambicioso.
Vivemos numa época em que a escola desempenha um papel fundamental, mas onde muitas competências importantes são desenvolvidas fora da sala de aula. A capacidade de comunicar, apresentar ideias, gerir um pequeno orçamento, trabalhar em equipa, pesquisar informação, resolver problemas ou organizar um projeto são exemplos de aprendizagens que nem sempre surgem nos manuais escolares.
Ao longo do verão, os desafios passam por áreas tão diversas como a escrita, a matemática, a história, a ciência, a engenharia, a natureza, a criatividade e até competências práticas para a vida quotidiana. Há momentos para observar aves, construir pontes de papel, criar jornais, preparar refeições, elaborar orçamentos, desenhar casas do futuro ou apresentar projetos à família.
Existe também uma componente que considero particularmente importante: aprender a relação entre esforço, responsabilidade e recompensa. O dinheiro que irão ganhar não surge porque sim. Surge porque realizaram uma tarefa, cumpriram um compromisso e desenvolveram uma competência.
Naturalmente, não espero que todas as missões sejam perfeitas. Nem sequer é esse o objetivo. O importante é que experimentem, errem, tentem novamente e descubram interesses que talvez nem saibam ainda que possuem.
Curiosamente, ao preparar estas atividades percebi que muitas delas são semelhantes aos desafios que encontramos na vida adulta. Pesquisar informação fiável, apresentar resultados, gerir recursos limitados, colaborar com outras pessoas ou comunicar ideias são competências que utilizamos diariamente, independentemente da profissão que escolhemos.
Talvez as férias não precisem de ser apenas uma pausa da aprendizagem. Talvez possam ser uma oportunidade para aprender de forma diferente.
E quem sabe se, entre uma missão sobre a natureza na Serra da Estrela e outra sobre o mar em Peniche, não estarão também a descobrir um pouco mais sobre quem querem ser no futuro.
