Nos últimos tempos tenho andado a fazer algumas obras de manutenção em casa. Nada de muito grandioso, mas o suficiente para perceber como é importante ir registando certas situações — não só para memória futura, mas também para ganhar consciência do que muitas vezes passa despercebido quando compramos ou construímos uma casa.
Um dos primeiros episódios foi a chaminé da lareira. A que lá estava, simplesmente… voou. Literalmente. Com o vento, acabou por sair do sítio, o que me obrigou a comprar uma nova, que, como não sabia o diâmetro só hã segunda é que aceitei no DN150. Não é nenhuma tragédia, claro, mas é daqueles custos inesperados que surgem quando menos contamos.
Outro ponto foi a decisão de pintar, pelo menos com uma primeira demão de Sika, as paredes das janelas de sacada. A ideia foi proteger melhor as zonas mais expostas, prevenir infiltrações e ganhar alguma margem de segurança antes de avançar para soluções definitivas. São decisões que não se tomam por estética, mas por necessidade.
Mas talvez a parte mais inquietante destas obras tenha sido aquilo que fui descobrindo à medida que se começou a mexer a sério nas estruturas. Verifiquei com os meus olhos que uma das janelas de sacada, numa zona mais escondida, nem sequer tinha sido rebocada aquando da sua construção. E há paredes junto a essas janelas por onde a água entra diretamente, porque simplesmente não têm qualquer revestimento exterior nem caixa de ar. Ou seja, a parede ficou completamente vulnerável desde o primeiro dia.
Confesso que estas situações me fazem alguma confusão. Não tanto pelo transtorno atual — que com tempo, dinheiro e paciência vai sendo resolvido — mas pela falta de profissionalismo, e talvez até de ética, que ainda persiste em alguns sectores da construção. São falhas que não se veem no imediato, que ficam escondidas, mas que mais tarde aparecem… quase sempre da pior forma. Mas quem as fez sabe que fez.
Estas pequenas intervenções acabam por ser um lembrete constante: manter uma casa não é apenas trocar uma telha ou pintar uma parede. É, muitas vezes, corrigir erros antigos, decisões apressadas e trabalhos mal executados. E isso, além de custar dinheiro, custa também tranquilidade.
Ainda assim, continuo a acreditar que vale a pena ir resolvendo tudo com método, passo a passo. Porque uma casa bem cuidada não se constrói apenas de raiz — constrói-se, sobretudo, todos os dias.
