Recentemente deparei-me com uma publicação cuja mensagem me ficou imediatamente na memória: Barcelona mostra que a árvore é infraestrutura urbana. Uma frase simples, mas que traduz uma mudança de paradigma que considero essencial para as cidades do futuro.
Durante muitos anos, olhámos para as árvores como um elemento paisagístico, importante para tornar os espaços mais agradáveis. Hoje sabemos que o seu papel vai muito além da componente estética. As árvores desempenham funções fundamentais para o desempenho ambiental e para a qualidade de vida nas cidades.
Uma árvore contribui para reduzir o efeito de ilha de calor, proporciona sombra, melhora o conforto térmico dos espaços públicos, ajuda a reter e infiltrar a água da chuva, melhora a qualidade do ar, promove a biodiversidade e cria ambientes mais saudáveis para quem vive e trabalha nas cidades. Tudo isto são serviços que normalmente associamos às infraestruturas.
Enquanto engenheira civil, considero que esta visão deve ser cada vez mais integrada no planeamento urbano. Quando projetamos uma rua, uma praça ou um bairro, não devemos pensar apenas no pavimento, nas redes de água, saneamento, eletricidade ou telecomunicações. Devemos também planear a infraestrutura verde, atribuindo-lhe a mesma importância estratégica.
Aliás, num contexto de alterações climáticas, esta integração torna-se ainda mais relevante. As árvores deixam de ser um complemento para passarem a fazer parte da solução. São uma infraestrutura natural que ajuda as cidades a adaptarem-se às temperaturas extremas, aos fenómenos de precipitação intensa e à necessidade de criar espaços urbanos mais resilientes.
Naturalmente, reconhecer as árvores como infraestrutura implica também assumir responsabilidades. É necessário escolher as espécies mais adequadas, garantir espaço suficiente para o desenvolvimento das raízes, planear a sua manutenção e assegurar que coexistem harmoniosamente com as restantes infraestruturas urbanas.
Acredito que o futuro das cidades passa por uma engenharia que integra natureza e tecnologia, em vez de as colocar em oposição. As melhores soluções serão aquelas que conseguem combinar infraestruturas construídas com infraestruturas naturais, tirando partido das vantagens de ambas.
Talvez esteja precisamente aqui uma das maiores mudanças de mentalidade de que precisamos: deixar de ver uma árvore apenas como um elemento verde e começar a reconhecê-la como uma verdadeira infraestrutura urbana, indispensável para construir cidades mais sustentáveis, resilientes e humanas.
