Cada vez mais com a consciência ambiental, financeira e de saúde (integrada em todas em vertentes) que temos é cada vez mais recorrente quando se pretende construir uma casa, querer – à partida – ter uma casa sustentável.
Mas será que se consegue em todas as dimensões? Não é fácil em especial quando queremos compatibilizar a componente ambiental com a financeira, nomeadamente nos materiais de construção.
As soluções de materiais sustentáveis são numa grande maioria mais onerosas e sendo por vezes soluções inovadoras, não se conhece a sua manutenção e compatibilização com outros materiais. Além de por vezes não existirem em Portugal e ser mesmo difícil conseguir transporte do mesmo.
Por isso, e porque acredito que o futuro tem de passar por casas mais sustentáveis, saudáveis e resilientes ficam aqui algumas dicas para teres em atenção quando fores construir o teu lar.
SUSTENTABILIDADE
- Eficiência Energética: Utilizar isolamentos térmicos de qualidade, janelas com vidros duplos ou triplos (dependendo na zona do Pais), e tecnologias passivas de aquecimento e refrigeração para reduzir a necessidade de energia (e saber ventilar naturalmente a casa aquando da utilização…).
- Energias Renováveis: Instalação de painéis solares fotovoltaicos ou térmicos, sistemas de aquecimento geotérmico e eventualmente turbinas eólicas de pequena escala ou bombas de calor (aqui a parte financeira condiciona em muita a decisão).
- Materiais Sustentáveis: Uso de materiais de construção ecológicos, como madeira certificada, nomeadamente tintas sem compostos orgânicos voláteis (COVs). Também é recomendável o uso de materiais reciclados ou de baixo impacto ambiental, como cimento de baixo carbono ou isolamento feito de fibras naturais (lã de ovelha, cortiça, etc.). Temos também aqui uma componente financeira condicionante, mas verifica sempre as questões de manutenção e utilização.
- Gestão de Recursos Hídricos: Implementar sistemas de captação de água da chuva, tratamento de águas cinzas e instalação de dispositivos de poupança de água, como torneiras e chuveiros de baixo fluxo (que são baratas e fáceis de instalar).
SAÚDE
- Qualidade do Ar Interior: Utilização de sistemas de ventilação mecânica controlada (VMC) para garantir a renovação adequada do ar e evitar a acumulação de humidade (ter muita atenção a esta questão da humidade que pode ser mesmo uma questão muito complicada em termos de saúde…) e poluentes internos (por vezes as casas têm o ar interior mais poluído que no exterior por falta de ventilação).
- Materiais Não Tóxicos: Escolha de materiais de construção e decoração que não libertem substâncias tóxicas, como tintas e vernizes sem COVs, pavimentos sem formaldeído, e mobiliário feito de materiais naturais. Mas não te esqueças também de colocar plantas em todas as divisões que se adaptem a cada ambiente (fórmula básica 1 planta média dimensão em cada 10 m2).
- Iluminação Natural: Maximizar a entrada de luz natural para melhorar o bem-estar dos ocupantes e reduzir a dependência de iluminação artificial, que pode afetar os ritmos circadianos.
- Conforto Acústico: Implementação de soluções para isolamento acústico, como janelas e materiais de absorção sonora, para reduzir a poluição sonora e criar um ambiente mais tranquilo. Não nos habituamos em som contínuos, o nosso cérebro não consegue desligar… e depois acordas cansado, já te aconteceu?
RESILIÊNCIA
- Resistência a Desastres Naturais: Projetar a casa para resistir a eventos extremos, como incêndios florestais, inundações ou sismos. Em Portugal, isso pode significar usar materiais não inflamáveis, planear a construção fora de áreas de risco de inundação e incorporar sistemas de drenagem eficientes.
- Adaptabilidade: A casa deve ser projetada para se adaptar a diferentes condições climáticas, como verões quentes e invernos frios. Isso pode incluir a instalação de sombreamentos, fachadas ventiladas (em especial a norte), e soluções de aquecimento passivo ou não perda de calor.
- Segurança Hídrica: Implementar sistemas de gestão de água para lidar com secas ou chuvas intensas, como jardins de retenção e bacias de infiltração, ou lagos (que se deixaram de utilizar…).
- Resiliência Energética: Considerar a inclusão de baterias para armazenar energia gerada por fontes renováveis e garantir autonomia energética durante cortes de energia. Ainda é uma questão financeiramente pouca atrativa, mas nos próximos anos acredito que os preços vão ser mais atrativos.
EM PORTUGAL,
- Clima Mediterrânico: Em grande parte do país, com verões quentes e secos e invernos húmidos, é essencial considerar a orientação da casa para maximizar o ganho solar no inverno e minimizar o aquecimento excessivo no verão (sul).
- Regulamentos e Incentivos: Portugal tem regulamentações específicas e oferece incentivos para a utilização de energias renováveis e eficiência energética. A conformidade com o Sistema de Certificação Energética de Edifícios (SCE) é obrigatória.
- Recursos Locais: Usar materiais locais, como a cortiça para isolamento (para mim a melhor!), que é abundante em Portugal, e respeitar as tradições construtivas locais para garantir que a casa se integra no ambiente natural e cultural (fundamental!).
Ao combinar esses princípios, é possível construir uma casa em Portugal que seja sustentável, saudável para os seus ocupantes e resiliente face a um futuro incerto.
No final a solução nunca é a casa ideal ou que tínhamos na ideia, mas sim a possível, mas o caminho faz-se caminhando, não querendo que se tenha tudo garantido de uma só vez!
