Por estes dias, passei pela zona da Aroeira e fiquei impressionada com a dimensão de algumas casas. À vista, pareciam ter pelo menos mil metros quadrados. Não consultei os projetos nem conheço as áreas reais, mas a escala das construções deixou-me a pensar.
Se estamos constantemente a falar da necessidade de reduzir a utilização dos recursos do planeta, como enquadramos habitações desta dimensão? Quantas pessoas irão efetivamente viver nelas? Olhando de fora, custa-me imaginar que sejam destinadas a uma dúzia de habitantes.
Habituámo-nos a discutir os mínimos necessários para uma casa oferecer condições dignas. A tradição regulamentar portuguesa estabeleceu áreas e dimensões mínimas para os compartimentos, procurando assegurar condições de utilização e salubridade. Essa preocupação é essencial: ninguém deveria ter de viver num espaço onde mal consegue circular, descansar ou organizar a vida quotidiana. O RGEU documenta essa preocupação com as dimensões dos compartimentos.
Mas a reflexão sobre o extremo oposto parece ter muito menos presença no debate.
Existem limites urbanísticos à construção, definidos pelos instrumentos aplicáveis a cada local. Por isso, não seria rigoroso afirmar que se pode construir sem qualquer limite. A questão que me inquieta é outra: até que ponto a dimensão de uma habitação deve ser pensada em função dos recursos que consome e das pessoas que vai acolher? O enquadramento local pode ser consultado através dos instrumentos de planeamento urbanístico de Almada.
Uma casa maior implica, em condições comparáveis, mais materiais para construir, mais superfícies para conservar e mais elementos para substituir ao longo do tempo. Mesmo quando incorpora soluções eficientes, a sua dimensão continua a contar.
Gostaria que a sustentabilidade entrasse no projeto também através desta pergunta: de quanto espaço precisamos realmente para viver bem?
Valorizar o conforto implica pensar na luz, na organização, na qualidade dos espaços e na sua adequação à vida de quem os utiliza. A área, por si só, diz-nos pouco sobre tudo isso.
Talvez esteja na altura de darmos tanta atenção ao que consideramos suficiente como damos ao que consideramos mínimo.
