Recentemente, surgiu uma notícia que merece alguma reflexão: uma cidade portuguesa entrou no ranking das mais felizes do mundo. E não, não se trata de Lisboa nem do Porto.
De acordo com o Happy City Index 2026, a cidade da Maia surge como a mais bem posicionada em Portugal, ocupando o 69.º lugar a nível mundial. Este índice, desenvolvido pelo Institute for Quality of Life, analisa múltiplos fatores como qualidade de vida, sustentabilidade, governação, economia, mobilidade e bem-estar geral da população. (RFM)
Mais do que um ranking, este tipo de estudo levanta uma questão interessante: o que define, afinal, uma “cidade feliz”?
A resposta parece estar longe de ser simples — e talvez seja esse o ponto mais relevante. A felicidade urbana não depende apenas de grandes infraestruturas ou de indicadores económicos elevados. Está profundamente ligada à forma como os territórios conseguem equilibrar desenvolvimento, inclusão, sustentabilidade e qualidade de vida no dia a dia das pessoas.
O caso da Maia é particularmente interessante porque demonstra que não são apenas as grandes capitais a conseguir destacar-se neste tipo de avaliações. Cidades de média dimensão, com uma gestão mais próxima e estratégias bem alinhadas, podem oferecer níveis de bem-estar muito competitivos, chegando mesmo a superar destinos mais mediáticos.
Para quem trabalha em áreas como planeamento urbano, inovação territorial ou desenvolvimento estratégico — como é o nosso caso — este tipo de reconhecimento traz pistas importantes. Mostra que a construção de territórios mais “felizes” não passa apenas por investimento, mas por visão, coerência e capacidade de integrar diferentes dimensões: social, ambiental, económica e cultural.
Outro ponto relevante é a crescente presença de cidades portuguesas neste tipo de rankings. Para além da Maia, outras cidades como Matosinhos, Odivelas, Almada ou Braga também aparecem listadas, ainda que em posições diferentes, o que evidencia uma evolução positiva do país neste contexto. (Porto Secreto)
No fundo, este tipo de distinção deve ser visto menos como um fim e mais como um indicador de caminho. Um sinal de que é possível construir territórios mais equilibrados, mais humanos e mais preparados para os desafios do futuro.
Fica a reflexão: estamos a trabalhar para criar cidades mais desenvolvidas… ou verdadeiramente mais felizes?
