Construir resiliência antes da próxima crise

by Susana Lucas
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Hoje estarei em Leiria para participar num evento da Ordem dos Engenheiros dedicado à Construção Resiliente e Sustentável – Territórios e Infraestruturas Críticas.

E dificilmente poderia existir um território mais simbólico para esta reflexão.

Leiria, tal como outras regiões do país, conhece bem o impacto que os eventos extremos podem ter nas comunidades, nas infraestruturas e no território. Incêndios, fenómenos meteorológicos severos, pressão sobre recursos, vulnerabilidades acumuladas ao longo do tempo — tudo isto nos relembra que já não estamos a falar de cenários hipotéticos. Estamos a falar da realidade.

Durante muitos anos, construímos muito focados na funcionalidade imediata, no custo, no prazo, no cumprimento regulamentar. Tudo isso continua naturalmente a ser importante. Mas hoje sabemos que já não é suficiente.

A pergunta deixou de ser apenas “como construir?” e passou a ser também “quão preparados estarão os nossos territórios para responder ao inesperado?”

Quando falamos de infraestruturas críticas, falamos muito mais do que edifícios ou estruturas físicas. Falamos de energia, água, comunicações, mobilidade, saúde, proteção civil. Falamos de sistemas interligados que sustentam a nossa vida quotidiana e cuja falha pode gerar impactos em cascata.

E talvez esse seja um dos maiores desafios atuais: perceber que a resiliência não se constrói em silos.

Não basta pensar apenas na engenharia estrutural. Não basta reforçar materiais. Não basta digitalizar processos. A verdadeira resiliência exige integração entre conhecimento técnico, planeamento territorial, governação, tecnologia, sustentabilidade e capacidade de resposta humana.

A engenharia tem aqui uma responsabilidade enorme.

Mas também uma oportunidade.

Porque se os desafios estão a tornar-se mais complexos, então as soluções terão inevitavelmente de ser mais inteligentes, mais colaborativas e mais antecipatórias.

Tenho particular curiosidade em perceber que perspetivas serão partilhadas neste evento. Como estamos a pensar a adaptação dos territórios? Que papel terão as infraestruturas críticas na mitigação do risco? Estaremos a investir suficientemente na prevenção ou continuamos culturalmente mais preparados para reagir do que para antecipar?

Num tempo em que as alterações climáticas deixam marcas cada vez mais concretas, talvez a sustentabilidade já não possa ser vista apenas como eficiência ambiental.

Talvez sustentabilidade seja, cada vez mais, capacidade de continuidade.

Porque um território sustentável que não resiste à crise talvez nunca tenha sido verdadeiramente sustentável.

Leiria será, sem dúvida, um excelente local para esta conversa.

E talvez a pergunta mais importante seja simples:

Estamos a construir para o presente… ou verdadeiramente para o futuro?

O que achas disto?

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