Ao longo dos últimos anos tenho participado na construção de diversos consórcios para candidaturas nacionais e europeias e, se há algo que considero fazer toda a diferença, é dedicar tempo a conversar individualmente com cada potencial parceiro.
É um investimento que, à primeira vista, pode parecer exigir demasiado tempo. No entanto, acredito que é precisamente esse tempo que evita muitos problemas mais tarde.
Cada organização tem a sua experiência, as suas prioridades, as suas limitações e aquilo que procura obter ao integrar um projeto. Por isso, dificilmente uma apresentação geral enviada por e-mail será suficiente para criar um verdadeiro compromisso.
Numa reunião individual é possível explicar, de forma clara e sintética, qual é a visão do projeto, que problema se pretende resolver e qual o impacto que se espera alcançar. Mas, acima de tudo, é possível responder a uma questão fundamental: porque queremos aquele parceiro específico?
Gosto sempre de explicar qual o papel que imagino para cada entidade, quais as atividades em que poderá contribuir, porque considero que a sua experiência é diferenciadora e de que forma esse contributo reforça a qualidade da candidatura.
Mas esta conversa não deve ser apenas num sentido.
É igualmente importante mostrar o que o projeto pode oferecer ao parceiro: novas oportunidades de colaboração, desenvolvimento de conhecimento, criação de redes internacionais, reforço da sua estratégia institucional, valorização das suas competências ou mesmo a possibilidade de abrir portas para futuros projetos.
Quando esta relação é construída desde o início com transparência e confiança, o parceiro deixa de sentir que está apenas a “entrar num projeto”. Passa a sentir que está a construir algo em conjunto.
Na minha experiência, os melhores consórcios não são necessariamente aqueles que reúnem as organizações mais prestigiadas. São aqueles em que cada parceiro compreende claramente o seu papel, acredita no objetivo comum e sente que a sua participação é verdadeiramente valorizada.
Uma candidatura começa muito antes da escrita da proposta. Começa nas conversas, na partilha de ideias, na construção de confiança e na capacidade de mostrar que cada parceiro é uma peça essencial para transformar uma visão comum numa realidade.
