Construir uma candidatura, pouco a pouco

by Susana Lucas
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Durante este período de férias, continuei a trabalhar na candidatura que estamos a preparar ao Horizonte Europa. Não porque alguém me obrigasse ou porque não conseguisse parar, mas porque acredito verdadeiramente no projeto e no potencial que pode ter.

Agosto é habitualmente um mês mais calmo. Muitas pessoas estão de férias e, naturalmente, os contributos chegam com menor frequência. Contudo, os poucos contributos que fomos recebendo foram muito relevantes. Permitiram esclarecer ideias, reforçar algumas dimensões, identificar aspetos ainda pouco desenvolvidos e melhorar a coerência global da proposta.

É interessante perceber como uma candidatura desta dimensão vai sendo construída. Não surge completa num único momento, nem resulta apenas de uma boa ideia inicial. Evolui através de sucessivas leituras, perguntas, alterações, dúvidas e contributos de pessoas com diferentes conhecimentos e experiências.

Ao longo destas semanas, fomos consolidando a informação pouco a pouco. Algumas partes tornaram-se mais claras, outras ganharam profundidade e várias ligações entre objetivos, resultados, atividades e impactos ficaram mais consistentes. É um trabalho nem sempre visível, mas absolutamente necessário.

Trabalhar numa candidatura europeia é também gerir diferentes ritmos. Há momentos de grande participação e outros em que é necessário continuar a avançar com os elementos disponíveis. O importante é aproveitar cada contributo, mesmo quando chega isoladamente, e perceber de que forma pode melhorar o todo.

Para a semana, com o regresso progressivo dos parceiros à atividade, começará certamente uma nova fase. Esperam-nos mais contributos, revisões, decisões e, provavelmente, novas alterações. Mas partiremos de uma base mais consolidada, construída durante estas semanas de trabalho mais silencioso.

Talvez seja esta uma das aprendizagens mais importantes na preparação de projetos colaborativos: uma candidatura não se faz apenas nos momentos de maior intensidade. Faz-se também nestes períodos de aparente pausa, em que há tempo para reler, pensar, relacionar e amadurecer.

Agora, estamos mais preparados para receber os próximos contributos e dar um novo impulso ao trabalho coletivo. Porque os grandes projetos também se constroem assim: com persistência, colaboração e pequenos avanços que, pouco a pouco, transformam uma ideia numa proposta consistente.

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