Coordenar um Horizonte Europa? Vamos a isso!

by Susana Lucas
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Há desafios que nos escolhem antes mesmo de sabermos se estamos preparados para eles.

Recentemente fui convidada a coordenar uma proposta ao programa Horizonte Europa, um dos mais competitivos e prestigiados instrumentos de financiamento da investigação e inovação na Europa. Confesso que a primeira reação foi uma mistura de entusiasmo e receio.

Entusiasmo porque é sempre gratificante perceber que colegas e parceiros internacionais depositam confiança no nosso trabalho, na nossa capacidade de mobilizar equipas e de construir pontes entre diferentes instituições e países. Receio porque, apesar de já ter coordenado diversos projetos nacionais e internacionais, nunca assumi a coordenação de uma candidatura deste tipo, com a sua dimensão, exigência e competitividade.

A proposta, provisoriamente intitulada “GREENBUILD SKILLS 2050”, pretende refletir sobre uma questão que considero absolutamente central para o futuro: quem serão os profissionais capazes de concretizar a transição sustentável do ambiente construído?

Falamos frequentemente de inteligência artificial, gémeos digitais, eficiência energética, economia circular ou edifícios inteligentes. No entanto, por detrás de todas estas tecnologias continuam a estar pessoas. E a grande questão é saber se estamos a preparar estudantes, técnicos, engenheiros, arquitetos, gestores e decisores para responder aos desafios que se avizinham.

A Europa tem vindo a definir metas ambiciosas através do Pacto Ecológico Europeu e da Renovation Wave. Mas nenhuma transformação acontecerá apenas através da tecnologia. Precisaremos de novas competências, novos modelos de formação e de uma maior articulação entre universidades, empresas, associações profissionais e decisores políticos.

Talvez seja precisamente isso que mais me motiva neste desafio. Não se trata apenas de escrever uma candidatura. Trata-se de ajudar a pensar como queremos formar os profissionais que irão projetar, construir, operar e reabilitar os espaços onde viveremos nas próximas décadas.

Até setembro teremos muito trabalho pela frente. Reuniões, parceiros, ideias, revisões e muitas horas de reflexão. Não sei qual será o resultado final da candidatura, mas sei que já valeu a pena aceitar o desafio.

Porque, por vezes, o crescimento acontece exatamente quando decidimos avançar mesmo sem termos todas as respostas.

E, por isso, a minha resposta foi simples: Vamos a isso.

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