Edifícios que cuidam de pessoas

by Susana Lucas
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Amanhã, terei a oportunidade de estar presente no Wellbuilding in Lisbon, um evento particularmente especial para mim, não apenas pelo tema que aborda, mas pelo significado que representa no percurso que tenho vindo a construir.

Em 2020, quando realizei a formação inicial ligada ao universo do WELL Building Standard, promovido pelo International WELL Building Institute, este ainda era um tema relativamente distante da realidade portuguesa. Falava-se muito de eficiência energética, sustentabilidade dos edifícios, descarbonização e tecnologia — temas fundamentais, sem dúvida — mas a ligação direta entre os edifícios e a saúde, bem-estar e desempenho das pessoas ainda não ocupava o espaço que merecia no debate nacional.

Por isso, saber que hoje existe em Portugal um evento dedicado a esta temática deixa-me genuinamente entusiasmada. Porque significa que a conversa evoluiu. Que começámos a perceber que um edifício não deve apenas cumprir requisitos técnicos ou ambientais; deve também ser pensado como um espaço que influencia diretamente a forma como vivemos, trabalhamos, aprendemos e até recuperamos energia.

A qualidade do ar interior, a iluminação, o conforto térmico e acústico, os materiais utilizados, a ligação à natureza, os espaços de movimento e até a forma como promovemos interações humanas dentro dos edifícios — tudo isto impacta a nossa saúde física e mental.

Num tempo em que passamos grande parte da nossa vida em ambientes interiores, esta reflexão torna-se inevitável: estaremos a projetar edifícios para as pessoas ou apenas para cumprir normas?

Como engenheira e alguém particularmente interessada na interseção entre sustentabilidade, construção e inovação, considero esta uma evolução muito positiva. Porque construir melhor já não pode significar apenas construir de forma mais eficiente; tem de significar também construir para cuidar.

Muito curiosa para acompanhar as conversas, aprender com quem está a liderar esta transformação e perceber como podemos acelerar esta visão em Portugal.

Quem mais estará por lá?

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