Elvira Fortunato: o valor de dar visibilidade à ciência

by Susana Lucas
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Elvira Fortunato ocupa o primeiro lugar na categoria de Educação e Ciência do ranking de 2026 das mulheres portuguesas Mais Poderosas nos Negócios, da Forbes Portugal. A distinção foi divulgada pela revista a 17 de setembro.

Recebo esta notícia com satisfação. Ver uma cientista em destaque no espaço público é uma oportunidade para falarmos do lugar que atribuímos ao conhecimento e às pessoas que dedicam a vida a construí-lo.

A Forbes destaca o percurso de Elvira Fortunato como professora e investigadora da Universidade NOVA de Lisboa, incluindo o seu trabalho pioneiro na eletrónica transparente com materiais sustentáveis. Este reconhecimento tem, naturalmente, um significado individual. Mas também nos convida a olhar para a investigação feita em Portugal e para a sua capacidade de chegar mais longe.

Importa compreender o alcance da distinção: estamos perante um ranking de poder e influência, com critérios definidos pela revista. A relevância científica de uma carreira merece uma apreciação própria, que ultrapassa qualquer posição numa lista.

O que mais me interessa nesta notícia é a possibilidade de aproximar a ciência de quem habitualmente pouco contacta com ela. Uma jovem que encontra uma investigadora em destaque pode descobrir uma profissão que nunca tinha considerado. Uma família pode passar a conhecer melhor o trabalho desenvolvido numa universidade. Uma conversa sobre reconhecimento pode transformar-se numa conversa sobre educação.

Gostaria, por isso, que esta visibilidade tivesse continuidade. Que nos levasse a conhecer as equipas, os projetos e as condições necessárias para investigar. Que desse espaço também a quem está no início do percurso e ainda não tem prémios, notoriedade ou uma carreira consolidada.

Celebrar Elvira Fortunato é uma forma de reconhecer uma trajetória. Dar consequência a essa celebração exige que valorizemos, no quotidiano, a formação, a curiosidade e o trabalho científico.

Fico contente com a distinção. E gostaria de ver o interesse que ela desperta traduzido numa atenção mais persistente à ciência e à educação.

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