Cada vez mais me identifico com uma engenharia centrada nas pessoas.
Uma engenharia que não começa apenas nos materiais, nas tecnologias, nos regulamentos ou nos cálculos, mas nas pessoas que irão viver, trabalhar, aprender, circular e relacionar-se nos espaços que projetamos.
O ambiente construído tem uma influência profunda na nossa vida. Passamos grande parte do nosso tempo dentro de edifícios e, por isso, as condições desses espaços afetam o nosso conforto, a nossa saúde física e mental, o nosso bem-estar e até a forma como nos relacionamos com os outros. A qualidade do ar, a temperatura, a luz natural, o ruído, a acessibilidade, a segurança e a ligação com a natureza não são aspetos secundários. Fazem parte da qualidade de vida que a engenharia deve ajudar a garantir.
Mas uma engenharia centrada nas pessoas também não pode ser desenvolvida apenas por engenheiros. O conhecimento técnico é indispensável, mas não é suficiente para compreender toda a complexidade das necessidades humanas.
Precisamos de trabalhar em conjunto com arquitetos, profissionais de saúde, psicólogos, sociólogos, designers, especialistas em ambiente, em energia, em tecnologia e em muitas outras áreas. Precisamos, sobretudo, de ouvir as pessoas que irão utilizar os espaços. São elas que melhor conhecem as suas rotinas, dificuldades, expectativas e necessidades reais.
É precisamente nesta colaboração entre diferentes conhecimentos e experiências que podemos criar um ambiente construído verdadeiramente humanizado. Um ambiente que não se limite a cumprir requisitos técnicos, mas que seja capaz de acolher, proteger, incluir e criar ligações.
Para mim, colocar as pessoas no centro não significa reduzir a importância da engenharia. Significa ampliar o seu propósito. Significa utilizar o conhecimento técnico para responder melhor à vida real e reconhecer que cada decisão de projeto pode ter consequências no quotidiano, na saúde e no bem-estar de muitas pessoas.
Talvez seja esta a engenharia com que mais me identifico atualmente: rigorosa, colaborativa, multidisciplinar e profundamente humana.
Porque não construímos apenas edifícios, infraestruturas ou cidades. Construímos os lugares onde a vida acontece.
