Ao longo dos últimos meses tenho utilizado a Inteligência Artificial de forma muito mais intensiva, seja na preparação de aulas, na escrita de candidaturas a financiamento, na organização de ideias, na revisão de textos ou até na reflexão sobre temas relacionados com a engenharia, a investigação e a sociedade.
E quanto mais a utilizo, mais considero que talvez o termo “co-inteligência” descreva melhor aquilo que representa. Não porque substitua o pensamento humano, mas porque o complementa.
A IA tem uma capacidade extraordinária para organizar informação, apresentar diferentes perspetivas, identificar lacunas, sugerir melhorias e até levantar questões que, por vezes, não nos tinham ocorrido. No entanto, continua a existir algo que permanece exclusivamente nosso: a capacidade de interpretar, contextualizar, decidir e assumir a responsabilidade pelas escolhas efetuadas.
Curiosamente, esta realidade leva-me a uma reflexão interessante. Quantas vezes aceitamos, quase sem questionar, a opinião de outra pessoa apenas porque é especialista, colega ou porque tem mais experiência? E, por outro lado, quantas vezes olhamos para uma sugestão da IA com uma desconfiança muito maior, analisando cuidadosamente cada frase antes de a aceitarmos?
Na verdade, talvez devêssemos adotar exatamente a mesma postura em ambos os casos. Nem aceitar tudo sem espírito crítico, nem rejeitar apenas pela origem da sugestão.
A qualidade de uma ideia não depende apenas de quem a apresenta. Depende da sua consistência, da sua fundamentação e da forma como responde ao problema que pretendemos resolver.
Vejo a Inteligência Artificial como um excelente parceiro de trabalho, alguém que está sempre disponível para desafiar o nosso pensamento, apresentar alternativas e estimular a criatividade. Mas continua a ser apenas isso: um parceiro. A decisão final, a visão estratégica, a experiência acumulada e os valores humanos continuam a pertencer a quem utiliza a tecnologia.
Talvez o futuro não passe por escolher entre inteligência humana ou inteligência artificial. Passe, isso sim, por desenvolver uma verdadeira co-inteligência, onde pessoas e tecnologia trabalham em conjunto, potenciando aquilo que cada uma faz melhor.
Porque, no final, a melhor resposta continua a nascer da capacidade humana de pensar criticamente… mesmo quando essa reflexão começou com uma sugestão da Inteligência Artificial.
