Há poucos dias escrevi sobre o desafio de coordenar, pela primeira vez, uma candidatura ao Horizonte Europa. Confessei o entusiasmo, mas também o respeito que tenho por um processo desta dimensão.
Entretanto realizámos a primeira reunião do consórcio.
Como coordenadora, preparei uma proposta de organização dos trabalhos e de calendário. A minha ideia era relativamente simples: utilizar o mês de julho para consolidar a parceria e recolher contributos, deixando o esforço mais intenso de escrita para setembro, após as férias.
Parecia-me uma solução equilibrada.
No entanto, durante a reunião surgiu uma perspetiva diferente. Vários parceiros defenderam que seria preferível aproveitar o mês de julho para desenvolver desde logo uma parte significativa da candidatura, chegando a setembro com uma base sólida e mais tempo para rever, melhorar e integrar os diferentes contributos.
No final da discussão, o grupo convergiu para essa solução.
E penso que foi a decisão certa.
Não necessariamente porque fosse melhor do que a proposta inicial, mas porque era a decisão em que a equipa acreditava.
Esta reunião fez-me recordar uma ideia que considero fundamental quando se lideram equipas: liderar não significa convencer todos de que a nossa proposta é a melhor. Significa criar condições para que todas as pessoas possam apresentar as suas ideias, discutir alternativas e construir uma solução coletiva.
Muitas vezes associamos liderança à capacidade de decidir. Mas existe outra capacidade igualmente importante: saber ouvir.
Um líder deve ser o primeiro a apresentar uma proposta, para que exista um ponto de partida para a discussão. Mas deve ser também o primeiro a aceitar que essa proposta pode ser melhorada, ajustada ou até completamente alterada.
Quando isso acontece, não significa que o líder perdeu autoridade.
Significa precisamente o contrário.
Significa que a equipa sente que a sua opinião é valorizada e que existe um ambiente de confiança suficiente para questionar ideias sem receio.
Nas candidaturas europeias, tal como em muitos outros projetos, dificilmente alguém consegue reunir sozinho todas as respostas. A riqueza está precisamente na diversidade de experiências, de culturas, de instituições e de formas de pensar.
No final, talvez a maior responsabilidade de quem coordena não seja ter sempre a melhor ideia.
É garantir que todos têm voz e que a melhor ideia consegue emergir da inteligência coletiva.
E foi exatamente isso que aconteceu na nossa primeira reunião.
Agora… mãos à obra. Julho promete ser bastante mais intenso do que eu tinha inicialmente previsto.
