Recentemente colocaram-me uma pergunta que me fez parar para pensar:
“Não queres deixar a multidisciplinaridade e especializar-te numa das áreas em que já és reconhecida como especialista?”
A pergunta era legítima. Afinal, vivemos num mundo onde a especialização é frequentemente vista como o caminho “mais seguro” — aquele que consolida a autoridade, a carreira e, muitas vezes, a identidade profissional. Mas, depois de refletir, percebi que, neste momento da minha vida, continuar a ser multidisciplinar é aquilo que me faz mais sentido.
A Beleza de Ver o Mundo com Vários Óculos
Para mim, a multidisciplinaridade não é dispersão — é expansão.
É poder olhar para um problema com diferentes lentes, cruzar conhecimentos, fazer pontes entre áreas que, à primeira vista, parecem distantes, mas que, quando se tocam, geram novas ideias, soluções mais criativas e uma compreensão mais rica da realidade.
Viver a partir da intersecção de diferentes saberes permite-me aprender continuamente e evitar aquela sensação de estagnação que, por vezes, vem com a hiper-especialização.
A Pressão da Especialização
Vivemos rodeados de discursos que valorizam a especialização: “torna-te o melhor numa coisa”, “foca-te”, “encontra o teu nicho”. E sim, há um mérito enorme em aprofundar uma área ao ponto de se tornar referência.
Mas nem todos os percursos têm de seguir essa lógica linear. Há quem floresça no aprofundamento de uma só raiz e há quem cresça como uma árvore com muitos ramos — ambos são válidos.
O Que Me Faz Feliz Agora
Hoje, a minha bússola não é o reconhecimento externo, nem a lógica do “dever ser”. É o que me faz sentido internamente.
E, neste momento, sinto que a minha energia, criatividade e bem-estar vêm dessa liberdade de transitar entre áreas, de juntar peças de diferentes puzzles e de não me limitar a uma só narrativa profissional.
Estarei certa? Talvez sim, talvez não. Mas sinto-me alinhada com este caminho agora. E acredito que viver com integridade também é isto: saber ouvir aquilo que, no presente, nos faz sentido — mesmo que, no futuro, escolhamos algo diferente.
Ser multidisciplinar não é indecisão. É, por vezes, a expressão mais autêntica da nossa curiosidade e da nossa maneira de estar no mundo.
Hoje, é essa autenticidade que escolho honrar.
