Não basta formar para fazer, é preciso formar para pensar

by Susana Lucas
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Recentemente, li uma mensagem de Carlos Rabadão com a qual concordo plenamente: “Não basta formar para fazer, é preciso formar para pensar.”

Saber fazer é, naturalmente, importante. É uma competência que vamos adquirindo através da formação, da prática, da repetição e da experiência. Mas formar apenas para executar procedimentos ou reproduzir soluções conhecidas parece-me manifestamente insuficiente perante os desafios que enfrentamos atualmente.

Antes de fazer, é necessário pensar.

Pensar permite-nos compreender o problema, questionar pressupostos, identificar necessidades, avaliar alternativas e antecipar consequências. É essa “ginástica mental” que nos ajuda a planear, definir, estruturar e projetar aquilo que pretendemos concretizar. Sem ela, podemos até executar corretamente uma tarefa, mas dificilmente estaremos preparados para lidar com situações novas, imprevistos ou problemas que não tenham uma resposta previamente definida.

Também precisamos de pensar enquanto fazemos. A realidade raramente corresponde exatamente ao que foi planeado. Durante a execução surgem novas informações, limitações e oportunidades que nos obrigam a observar, interpretar e adaptar. Pensar durante o processo permite-nos corrigir o caminho, tomar decisões fundamentadas e melhorar o resultado.

E existe ainda uma terceira dimensão que, por vezes, esquecemos: pensar depois de fazer.

Refletir sobre o que correu bem, o que poderia ter sido diferente e o que aprendemos com a experiência transforma uma ação num verdadeiro processo de aprendizagem. Essa reflexão prepara-nos melhor para o desafio seguinte e evita que repitamos os mesmos erros.

Enquanto docente, considero que este deve ser um dos principais objetivos da formação. Mais do que transmitir respostas, devemos ajudar os estudantes a formular perguntas, relacionar conhecimentos e construir o seu próprio raciocínio. O mundo profissional continuará a mudar, as ferramentas serão diferentes e muitas tarefas poderão ser automatizadas. A capacidade de pensar, porém, continuará a ser essencial.

Formar para pensar não significa afastar a teoria da prática. Significa unir as duas de forma consciente: pensar antes, pensar durante e pensar depois de fazer.

Porque fazer permite-nos concretizar. Mas é o pensamento que nos permite compreender, melhorar e evoluir.

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