Recentemente descobri a iniciativa New European Bauhaus Academy (NEB Academy) e confesso que me parece um excelente exemplo de como a Europa está a tentar responder a um dos maiores desafios da atualidade: a necessidade de formar e requalificar profissionais para transformar o setor da construção.
Muitas vezes falamos de sustentabilidade, descarbonização, economia circular, materiais biológicos, digitalização ou inteligência artificial aplicada à construção. No entanto, existe uma questão fundamental que nem sempre recebe a mesma atenção: quem irá implementar todas estas mudanças?
A resposta passa inevitavelmente pelas pessoas. E é precisamente aqui que surge a missão da New European Bauhaus Academy: promover a formação, atualização e requalificação dos profissionais da construção para acelerar a transição para um ambiente construído mais sustentável, inclusivo e neutro em carbono.
O setor da construção é responsável por uma parte significativa das emissões de gases com efeito de estufa e do consumo de recursos naturais. Ao mesmo tempo, enfrenta uma crescente falta de profissionais qualificados em várias áreas. A própria NEB Academy identifica a escassez de competências como um dos principais obstáculos à transformação do setor.
O que considero particularmente interessante nesta iniciativa é que não se limita a promover formação técnica tradicional. A academia estrutura-se em torno de temas que serão determinantes nas próximas décadas: construção digital, materiais de base biológica, economia circular, soluções regenerativas e edifícios concebidos para uma vida útil longa e adaptável.
Mas existe outro aspeto que merece destaque. O conceito do New European Bauhaus não se centra apenas na sustentabilidade ambiental. Assenta igualmente em três princípios fundamentais: sustentabilidade, inclusão e qualidade da experiência dos utilizadores. Ou seja, não basta construir edifícios eficientes; é necessário criar espaços que sejam simultaneamente sustentáveis, acessíveis, atrativos e centrados nas pessoas.
Enquanto docente na área da Engenharia Civil, esta iniciativa leva-me também a refletir sobre o papel das instituições de ensino superior. Durante muitos anos formámos especialistas para responder aos desafios do presente. Hoje precisamos de formar profissionais capazes de responder a desafios que ainda estão a emergir. Isso implica desenvolver competências técnicas, mas também capacidades de adaptação, aprendizagem contínua, trabalho interdisciplinar e pensamento sistémico.
Talvez por isso a NEB Academy procure criar uma rede europeia de universidades, centros de investigação, entidades de formação e organizações profissionais. O conhecimento necessário para transformar o setor da construção é demasiado vasto para ficar concentrado numa única instituição ou numa única área científica.
Ao ler sobre esta iniciativa, não consegui deixar de pensar numa questão simples: estaremos a preparar os estudantes de hoje para a construção de amanhã? A resposta provavelmente será diferente em cada instituição, mas o desafio é comum a todos.
A construção do futuro será mais digital, mais circular, mais resiliente e mais sustentável. Mas, acima de tudo, dependerá das competências das pessoas que a irão projetar, construir, gerir e transformar.
E talvez a maior lição da New European Bauhaus Academy seja precisamente esta: a transição para um futuro mais sustentável não começa nos edifícios. Começa na formação das pessoas.
