Ao longo de 18 anos de docência no ensino superior, uma das maiores recompensas que tenho recebido não cabe em nenhum currículo, índice bibliométrico ou projeto de investigação. Encontra-se nas pessoas.
É um enorme orgulho acompanhar o percurso de antigos alunos que hoje são profissionais independentes, que criaram as suas próprias empresas, que lideram equipas, que assumem responsabilidades em entidades públicas ou privadas e, em alguns casos, até desempenham funções como Presidentes de Câmara Municipal.
Sempre que descubro um novo percurso de sucesso, sinto uma enorme satisfação. Não porque o mérito seja meu — esse pertence a cada um deles, ao seu trabalho, dedicação e perseverança — mas porque gosto de acreditar que, em algum momento do seu percurso académico, consegui contribuir para despertar a curiosidade, incentivar o pensamento crítico ou transmitir a confiança necessária para acreditarem nas suas capacidades.
O ensino superior tem precisamente essa missão. Muito para além da transmissão de conhecimento técnico, deve ajudar a formar pessoas capazes de analisar problemas, questionar soluções, assumir responsabilidades e construir o seu próprio caminho. É essa visão mais ampla que permite crescer, inovar e procurar constantemente novos desafios.
Como docente, procuro que as minhas aulas sejam mais do que um conjunto de conteúdos. Procuro criar momentos de reflexão, aproximar os estudantes da realidade profissional, desafiá-los a sair da sua zona de conforto e mostrar-lhes que a engenharia, tal como a vida, exige conhecimento, mas também criatividade, ética e coragem para decidir.
Passados todos estes anos, continuo a encontrar antigos alunos em obras, empresas, conferências, projetos de investigação ou simplesmente na rua. É gratificante perceber que continuam a crescer, a aprender e a contribuir para uma sociedade melhor.
No final, acredito que o verdadeiro sucesso de um professor não se mede pelo número de aulas lecionadas, mas pelo impacto que consegue deixar nas pessoas. Se alguns dos meus antigos alunos sentem que contribuí, ainda que de forma modesta, para o seu percurso profissional e pessoal, então todo este caminho tem valido verdadeiramente a pena.
