O poder transformador de um bom professor

by Susana Lucas
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Recentemente li sobre Irene Fonseca, distinguida com um prémio da Universidade de Lisboa, e houve uma frase da sua história que me ficou particularmente na memória: em tempos, considerava-se uma aluna mediana a Matemática. Nada faria prever, à partida, que terminaria um curso de Matemática com média de 20 valores.

O que mudou?

Segundo a própria, teve bons professores.

E esta ideia, aparentemente simples, merece uma reflexão profunda.

Vivemos numa época em que muitas vezes discutimos tecnologia, inteligência artificial, plataformas digitais, novos modelos pedagógicos e inovação educativa. Tudo isso tem o seu espaço e importância. Mas, no centro de qualquer processo de aprendizagem, continua a existir algo profundamente humano: a capacidade de um professor despertar potencial onde, muitas vezes, nem o próprio aluno o consegue ver.

Quantos talentos ficam pelo caminho porque alguém acreditou demasiado cedo que “não tinha jeito”? Quantas vocações nunca chegam a nascer porque faltou aquele professor que explica de forma diferente, que desafia, que inspira, que transmite confiança e faz o aluno acreditar que consegue ir mais longe?

A história de Irene Fonseca relembra-nos algo essencial: desempenho académico não é uma sentença definitiva, é um percurso em construção.

Enquanto docente, esta reflexão faz-me ainda mais sentido. Ensinar não é apenas transmitir conteúdos; é criar condições para que cada estudante descubra capacidades que talvez ainda desconheça. Nem todos aprendem ao mesmo ritmo, nem da mesma forma, e talvez uma das maiores qualidades de quem ensina seja precisamente encontrar caminhos diferentes para desbloquear esse potencial.

Naturalmente, o mérito individual é incontornável. Nenhum excelente percurso se constrói sem esforço, dedicação e resiliência. Mas ignorar o impacto de quem ensina seria esquecer uma parte fundamental da equação.

Talvez por isso devêssemos valorizar ainda mais o papel dos bons professores — aqueles que não apenas ensinam uma disciplina, mas ajudam a redefinir a forma como um aluno se vê a si próprio.

Porque, por vezes, a diferença entre uma “aluna mediana” e uma referência mundial não está no talento inicial, mas no encontro certo com quem soube inspirar.

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