Numa conferência sobre educação e inovação foi abordada a ideia de que os jovens de hoje questionam menos. É uma afirmação que me deixou a pensar, porque não corresponde inteiramente àquilo que observo.
Os jovens atuais têm acesso a uma quantidade de informação incomparavelmente superior àquela a que as gerações anteriores tinham. Quando estudávamos, a informação estava sobretudo nos livros, nas bibliotecas, nos professores e em alguns meios de comunicação. Hoje, chega-lhes permanentemente através de motores de pesquisa, redes sociais, vídeos, plataformas educativas e ferramentas de Inteligência Artificial.
Além da quantidade, existe outra diferença: grande parte dessa informação já lhes chega selecionada por algoritmos. Os conteúdos apresentados estão relacionados com as pesquisas anteriores, os interesses demonstrados e os perfis traçados pelas plataformas. Esta realidade pode limitar o contacto com perspetivas diferentes, mas também torna os jovens mais conscientes de que nem tudo o que aparece num ecrã é necessariamente verdadeiro, completo ou imparcial.
Por isso, não considero que estejam menos aptos a questionar. Pelo contrário, precisam de questionar ainda mais. Têm de perceber se uma informação é verdadeira, se a fonte é credível, se um conteúdo foi manipulado ou se um texto, uma imagem ou um vídeo foram criados por Inteligência Artificial.
Talvez os jovens questionem de uma forma diferente daquela que esperamos. Podem não levantar imediatamente a mão numa aula ou não formular as perguntas nos moldes tradicionais. Contudo, pesquisam, comparam, conversam entre si e procuram outras respostas. O nosso desafio, enquanto docentes, não deve ser concluir que deixaram de questionar, mas criar ambientes nos quais se sintam motivados e seguros para o fazer.
Mais do que transmitir informação, a educação deve desenvolver pensamento crítico. Num mundo em que produzir conteúdos se tornou extremamente fácil, saber perguntar, verificar, interpretar e duvidar de forma fundamentada será uma das competências mais importantes.
