Na passada terça-feira estive presente no Portugal Smart Summit, um evento focado na inovação, tecnologia e transformação digital com impacto nos territórios e nas cidades. Confesso que à partida esperava um pouco mais em termos de escala e dinamismo, mas, olhando em retrospetiva, percebo que a presença valeu — e muito.
Estar num evento destes serve não apenas para “ver o que se passa”, mas também para recalibrar expectativas, testar ideias, medir o pulso à evolução do setor e, sobretudo, ouvir e conversar.
Assisti a algumas das sessões e fiquei agradavelmente surpreendida: não estou assim tão fora do compasso. É sempre bom constatar que o caminho que vamos trilhando — por vezes em silos, com poucos sinais externos — está alinhado com o que se discute em palco. Esta validação, mesmo que indireta, dá força e confiança.
Um dos momentos mais interessantes foi a troca de ideias com os representantes do projeto 5G Rural. Uma iniciativa que me despertou particular atenção, não só pela ambição, mas pelo impacto que pode ter em zonas mais isoladas, tantas vezes esquecidas no desenho dos planos tecnológicos. Falou-se de conectividade real, de inclusão digital e de soluções concretas — não apenas de buzzwords.
Por outro lado, senti alguma ausência notória por parte dos municípios e das empresas. Um evento com esta temática ganharia muito mais força e representatividade com a presença ativa de quem está no terreno a tomar decisões. O envolvimento mais robusto destas entidades poderia dar lugar a debates mais práticos, colaborações imediatas e maior projeção das soluções já em marcha.
Ainda assim, a conclusão é clara: vale sempre a pena estar presente. Mesmo quando o evento não impressiona em quantidade, pode marcar pela qualidade de um ou dois contactos, pela inspiração de uma ideia ou, simplesmente, pela certeza de que não estamos sozinhos neste caminho de tornar os territórios mais inteligentes e mais humanos.
