Nos últimos tempos tenho refletido bastante sobre um tema que me parece cada vez mais relevante: como podemos melhorar a segurança em atividades lúdicas e desportivas realizadas em instalações públicas com o apoio da Inteligência Artificial?
Esta não é uma reflexão isolada. Tem surgido em conversas muito interessantes com diferentes agentes desta área — especialistas em tecnologia, pessoas ligadas à gestão de instalações, segurança e operação — e quanto mais ouvimos perspetivas distintas, mais evidente se torna que ainda há muito espaço para evoluir.
Quando falamos de equipamentos públicos — pavilhões desportivos, piscinas, parques infantis, recintos recreativos, espaços de lazer ou instalações multifuncionais — a segurança continua, naturalmente, a depender muito de procedimentos, equipas humanas, manutenção e cultura de prevenção. E continuará a depender.
Mas será que podemos fazer melhor?
Acredito que sim.
A Inteligência Artificial pode abrir portas muito interessantes, não numa lógica de substituir pessoas, mas de reforçar a capacidade de antecipação, monitorização e resposta.
Imagine-se, por exemplo:
- sistemas que identifiquem padrões de ocupação anómalos ou situações de sobrelotação;
- monitorização inteligente que detete quedas, comportamentos de risco ou permanência em zonas perigosas;
- manutenção preditiva de equipamentos para reduzir falhas antes de acontecerem;
- sensores que antecipem problemas relacionados com qualidade do ar, temperatura, humidade ou outros fatores críticos para conforto e segurança;
- sistemas de apoio à evacuação ou gestão de emergência com informação em tempo real;
- análise de incidentes para aprender com padrões e prevenir recorrências.
A tecnologia existe, ou pelo menos boa parte dela já existe.
O verdadeiro desafio talvez esteja menos no se e mais no como.
Como garantir privacidade e proteção de dados?
Como assegurar que as soluções são fiáveis?
Como evitar dependência excessiva da automação?
Como tornar estas soluções acessíveis às entidades públicas?
Como garantir que a tecnologia responde a necessidades reais e não apenas a tendências?
Porque a segurança não deve ser reativa. Deve ser, tanto quanto possível, preventiva.
E se a Inteligência Artificial nos pode ajudar a criar ambientes mais seguros para crianças, jovens, adultos e seniores que utilizam estes espaços, então talvez faça sentido acelerar esta conversa.
Ainda se pode — e deve — fazer muito.
Quem nesta área já está a pensar ou a testar soluções deste género?
