Pode a Inteligência Artificial tornar mais seguras as nossas atividades lúdicas e desportivas?

by Susana Lucas
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Nos últimos tempos tenho refletido bastante sobre um tema que me parece cada vez mais relevante: como podemos melhorar a segurança em atividades lúdicas e desportivas realizadas em instalações públicas com o apoio da Inteligência Artificial?

Esta não é uma reflexão isolada. Tem surgido em conversas muito interessantes com diferentes agentes desta área — especialistas em tecnologia, pessoas ligadas à gestão de instalações, segurança e operação — e quanto mais ouvimos perspetivas distintas, mais evidente se torna que ainda há muito espaço para evoluir.

Quando falamos de equipamentos públicos — pavilhões desportivos, piscinas, parques infantis, recintos recreativos, espaços de lazer ou instalações multifuncionais — a segurança continua, naturalmente, a depender muito de procedimentos, equipas humanas, manutenção e cultura de prevenção. E continuará a depender.

Mas será que podemos fazer melhor?

Acredito que sim.

A Inteligência Artificial pode abrir portas muito interessantes, não numa lógica de substituir pessoas, mas de reforçar a capacidade de antecipação, monitorização e resposta.

Imagine-se, por exemplo:

  • sistemas que identifiquem padrões de ocupação anómalos ou situações de sobrelotação;
  • monitorização inteligente que detete quedas, comportamentos de risco ou permanência em zonas perigosas;
  • manutenção preditiva de equipamentos para reduzir falhas antes de acontecerem;
  • sensores que antecipem problemas relacionados com qualidade do ar, temperatura, humidade ou outros fatores críticos para conforto e segurança;
  • sistemas de apoio à evacuação ou gestão de emergência com informação em tempo real;
  • análise de incidentes para aprender com padrões e prevenir recorrências.

A tecnologia existe, ou pelo menos boa parte dela já existe.

O verdadeiro desafio talvez esteja menos no se e mais no como.

Como garantir privacidade e proteção de dados?
Como assegurar que as soluções são fiáveis?
Como evitar dependência excessiva da automação?
Como tornar estas soluções acessíveis às entidades públicas?
Como garantir que a tecnologia responde a necessidades reais e não apenas a tendências?

Porque a segurança não deve ser reativa. Deve ser, tanto quanto possível, preventiva.

E se a Inteligência Artificial nos pode ajudar a criar ambientes mais seguros para crianças, jovens, adultos e seniores que utilizam estes espaços, então talvez faça sentido acelerar esta conversa.

Ainda se pode — e deve — fazer muito.

Quem nesta área já está a pensar ou a testar soluções deste género?

O que achas disto?

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