Nunca considerei verdadeiramente essencial ter uma piscina na minha casa base. Mesmo quando esta era a única casa que tinha, sempre vi a piscina como um investimento demasiado grande para a real utilização que iria ter. Claro que, como quase toda a gente, houve sempre aqueles dias quentes de verão — uma semana, talvez duas — em que a ideia voltava à cabeça com mais força. E nesses momentos tudo parecia fazer sentido: o mergulho ao fim do dia, os amigos, o descanso ao sol.
A verdade é que cheguei mesmo a dar passos concretos. Fiz o projeto, submeti-o à câmara, e foi aprovado. Estava tudo pronto para avançar. Mas nunca avancei.
Com o tempo, fui percebendo que a decisão não era apenas financeira, embora o custo inicial seja elevado. Há também a manutenção constante, os consumos, as preocupações de segurança, o espaço ocupado, o tempo dedicado. Para algo que, sendo honesta comigo própria, iria usar de forma muito limitada ao longo do ano.
Não quer isto dizer que uma piscina não tenha vantagens — tem muitas. É um espaço de lazer, de convívio, de bem-estar. Valoriza a casa, cria memórias, dá outro encanto aos dias de verão. Mas, no meu caso, as desvantagens acabaram sempre por pesar mais do que os benefícios.
Hoje olho para essa decisão com tranquilidade. Sei que foi ponderada, consciente e adequada ao meu estilo de vida. Ter uma piscina é excelente para quem a vive intensamente. Para mim, acabou por ser apenas uma boa ideia que ficou no papel — e que, curiosamente, nunca me trouxe arrependimento.
Talvez um dia mude de ideias. Ou talvez continue a achar que nem todas as casas precisam de uma piscina para serem completas.
