Primeira Newsletter Interna da Scientia Nexus

by Susana Lucas
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Publicámos recentemente a primeira newsletter interna da Scientia Nexus, e, mais do que um simples exercício de comunicação, acabou por se tornar um momento de tomada de consciência. Não tanto sobre o que fizemos — embora isso também seja importante — mas sobre aquilo que significa, na prática, construir algo coletivo.

Há uma tendência natural, especialmente em contextos científicos e académicos, para trabalhar de forma fragmentada. Cada projeto segue o seu ritmo, cada grupo avança nas suas prioridades, cada pessoa concentra-se nas suas tarefas. E, no meio disso, perde-se muitas vezes a visão do todo. Sabemos que estamos ocupados, mas nem sempre sabemos exatamente com quê — ou, mais importante, para onde estamos a caminhar em conjunto.

Foi precisamente isso que a newsletter veio contrariar.

Ao reunir, ainda que de forma sintética, os diferentes projetos, candidaturas, grupos de trabalho e iniciativas em curso, tornou-se evidente que há muito mais a acontecer do que aquilo que cada um de nós individualmente consegue ver. Há candidaturas relevantes já submetidas, ideias em desenvolvimento, eventos a ganhar forma, estruturas a consolidar. Há, sobretudo, movimento.

E esse movimento só ganha sentido quando é partilhado.

Porque o conhecimento não é apenas aquilo que produzimos para fora — é também aquilo que conseguimos construir internamente enquanto comunidade. Saber o que está a ser feito permite identificar pontos de ligação, evitar redundâncias, encontrar oportunidades de colaboração que, de outra forma, passariam despercebidas. Mais do que informar, este tipo de comunicação alinha.

Mas há um segundo efeito, talvez ainda mais importante: mobilizar.

Quando vemos que existem projetos concretos em curso — desde iniciativas com impacto social, como programas de promoção de STEM, até à preparação de encontros científicos ou à criação de novos formatos de comunicação — percebemos que há espaço para contribuir. Que não se trata de uma estrutura fechada, mas de algo em construção, onde a participação faz diferença.

E isso muda a forma como olhamos para a associação.

Deixa de ser “algo a que pertencemos” e passa a ser “algo que estamos a construir”.

A própria diversidade de iniciativas mostra isso. Há quem esteja envolvido em candidaturas europeias, quem esteja a pensar formatos de comunicação, quem esteja a estruturar formação, quem esteja a trabalhar na captação de novos membros. Não há um único ponto de entrada — e isso é, provavelmente, uma das maiores forças da Scientia Nexus.

Mas também implica uma responsabilidade: a de tornar visível esse espaço de participação.

Porque ninguém se junta a algo que não compreende. E ninguém contribui para algo que não sente como seu.

É por isso que esta newsletter não deve ser vista como um fim, mas como um início. Um primeiro passo para criar uma cultura de partilha interna mais consistente, mais transparente e mais mobilizadora. Uma forma de garantir que o crescimento não acontece apenas em número de iniciativas, mas também em coesão.

Num momento em que tanto se fala de colaboração e interdisciplinaridade, talvez o maior desafio esteja, paradoxalmente, dentro das próprias estruturas. Conseguir que as pessoas saibam o que está a acontecer, que se reconheçam no que está a ser feito e que encontrem o seu lugar nesse processo.

Se conseguirmos isso, atrair novos membros deixa de ser um esforço isolado e passa a ser uma consequência natural. Porque aquilo que estamos a construir começa a fazer sentido — não apenas como ideia, mas como prática.

No fundo, mais do que comunicar atividades, estamos a construir identidade.

E isso leva tempo. Mas começa assim: tornando visível o caminho que já está a ser feito.

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