Na passada quinta-feira fui ao evento Architect@Work. É um evento ao qual gosto sempre de ir, não só pelo ambiente diferente, mais informal e inspirador, mas também pela oportunidade de ver o que de novo se anda a fazer no setor. É daqueles momentos em que saímos da rotina, observamos, aprendemos e voltamos com novas ideias.
Desta vez, no entanto, a experiência foi um pouco diferente: tive de levar comigo os meus filhos. Confesso que, inicialmente, fiquei na dúvida se iria conseguir aproveitar o evento da mesma forma. Mas rapidamente percebi que, afinal, eles não iam apenas acompanhar-me — iam também transformar a visita numa experiência completamente nova.
A certa altura, deparámo-nos com uma escultura interativa composta por vários bancos, cada um com uma letra. A ideia era simples e genial: cada pessoa podia rearranjar os bancos e formar palavras ou frases. Naturalmente, os meus filhos ficaram imediatamente fascinados.
O meu filho foi rápido: mal viu aquilo, começou logo a juntar letras e em segundos já tinha formado o seu nome — “Gil”. Simples, direto, com aquele orgulho próprio de quem acabou de deixar a sua marca.
Já a minha filha decidiu ir mais longe. Queria fazer uma frase. E não era uma frase qualquer. Depois de pensar um pouco, disse com toda a convicção:
— Vamos escrever “Há Algo Especial”.
E lá fomos nós, os três, à procura das letras, arrastando bancos, experimentando combinações, rindo-nos quando faltava uma letra ou quando sobrava outra. No final, a frase estava lá, completa, no meio do espaço expositivo.
Ali, no meio de um evento de arquitetura e inovação, fui surpreendido por uma lição simples, mas profunda: a imaginação e a criatividade das crianças estão muito para além daquilo que, muitas vezes, consideramos comum. Onde eu via apenas uma escultura interativa, eles viram um brinquedo, uma mensagem, uma possibilidade de criação.
Saí do Architect@Work com novidades do setor, sim — mas também com algo ainda mais valioso: a lembrança de que a criatividade não tem idade, não precisa de explicações complicadas e surge, muitas vezes, nos momentos mais inesperados.
E talvez, afinal, “há mesmo algo especial” nisso tudo.
