Recentemente tive conhecimento da criação da Cátedra Azvi: Infraestruturas e Tecnologias da Construção, uma iniciativa conjunta da Universidade de Sevilha e da empresa Azvi. Mais do que uma parceria institucional, este projeto representa uma visão de futuro para a Engenharia Civil: aproximar o ensino superior da realidade empresarial e dos grandes desafios que o setor enfrenta.
A cátedra pretende desenvolver programas de especialização, promover atividades de divulgação científica e tecnológica e estimular a investigação em áreas estratégicas para as infraestruturas e para a construção. Num contexto marcado pela transição digital, pela descarbonização, pela necessidade de infraestruturas mais resilientes e pela escassez de profissionais qualificados, este tipo de iniciativas ganha uma relevância ainda maior.
Enquanto docente, acredito profundamente que a formação dos futuros engenheiros não pode acontecer apenas dentro da sala de aula. O contacto permanente com empresas, casos reais, tecnologias emergentes e desafios concretos permite desenvolver competências que dificilmente se adquirem apenas através do ensino tradicional. Da mesma forma, as empresas beneficiam da proximidade à academia, onde encontram conhecimento científico, capacidade de inovação e jovens talentos preparados para pensar de forma crítica.
Gostaria de ver cada vez mais iniciativas deste género em Portugal. Não apenas cátedras financiadas por empresas, mas verdadeiros ecossistemas de inovação, onde universidades, institutos politécnicos, empresas, centros de investigação e entidades públicas trabalhem de forma integrada para antecipar as necessidades do setor e construir soluções em conjunto.
A Engenharia Civil está a transformar-se rapidamente. As infraestruturas do futuro exigem novos materiais, digitalização, inteligência artificial, sustentabilidade, eficiência na gestão de recursos e uma forte capacidade de adaptação às alterações climáticas. Preparar profissionais para esta nova realidade é uma responsabilidade que deve ser partilhada por todos.
Quando universidade e empresa deixam de trabalhar em paralelo e passam a construir conhecimento em conjunto, quem mais beneficia é a sociedade. Talvez seja esse o verdadeiro alicerce da inovação: criar pontes entre quem produz conhecimento e quem o transforma em impacto.
