Hoje é quinta-feira e tenho um exame marcado. Um exame para apenas um aluno.
Podia encarar a situação de forma prática e distante: está marcado, acontece, cumpre-se o procedimento. Podia nem sequer contactar. Afinal, é só um aluno e tudo está definido. Mas pensei exatamente ao contrário.
Sendo apenas um, faz ainda mais sentido entrar em contacto, confirmar se existem dúvidas de última hora e explicar com clareza como vai decorrer o exame. Não para facilitar, não para alterar regras, mas para reduzir incertezas. Às vezes, um simples contacto faz toda a diferença.
É curioso como, à primeira vista, pode parecer aborrecido deslocar-me ou preparar tudo para apenas uma pessoa. Mas basta mudar a perspetiva: e se fossem 100 alunos?
Não seria incomparavelmente mais complicado? Mais ruído, mais ansiedade, mais margem para falhas.
Com um único aluno, existe tempo. Tempo para ouvir, para explicar, para garantir que o processo é justo, claro e sereno. E isso também é qualidade. Isso também é profissionalismo.
No fundo, ensinar e avaliar não é uma questão de quantidade, mas de responsabilidade. Cada aluno representa alguém que confiou no processo, no sistema e em quem está do outro lado. E essa responsabilidade não diminui só porque a sala está quase vazia — pelo contrário, torna-se ainda mais visível.
Hoje, este exame não é “só para um aluno”.
É para aquele aluno. E isso basta.
