Hoje, dia 5 de janeiro, é daqueles dias em que a vida começa a pedir novamente ritmo. Depois das pausas, dos horários mais soltos e dos dias que se deixam alongar, voltamos às rotinas. Nem sempre é fácil — confesso que, às vezes, custa um bocadinho. Mas há algo de reconfortante neste recomeço.
Depois de levar os miúdos à escola, há uma rotina à qual não abdico: a minha caminhada de cerca de uma hora. É um tempo só meu. Um espaço de silêncio, de passos cadenciados e de respiração mais funda. É ali que faço a minha ligação à natureza — observo a luz da manhã, as árvores, o ar fresco — e, quase sem dar conta, começo também a organizar o dia que está a nascer.
Caminhar ajuda-me a alinhar ideias, a definir prioridades e a acalmar o ruído interno. É como se cada passo colocasse uma coisa no lugar certo. Talvez por isso o planeamento seja uma das minhas maiores competências. Gosto de pensar no que vem a seguir, estruturar, antecipar, criar espaço para que o dia flua melhor.
Recomeçar rotinas não significa rigidez. Para mim, significa criar âncoras. Pequenos hábitos que me sustentam, que me dão clareza e energia. Esta caminhada é uma dessas âncoras — física, mental e emocional.
Por isso, vamos a isso. Mesmo que custe um bocadinho no início. Porque, no fim, voltar às rotinas é também voltar a nós, ao que nos faz bem e ao que nos ajuda a avançar com mais intenção.
