O início de um novo ano letivo é habitualmente associado ao regresso dos estudantes às salas de aula, aos horários, aos trabalhos e às avaliações. Contudo, este regresso também acontece para quem ensina.
Cada nova turma obriga-nos a reaprender. Mudam os estudantes, as suas experiências, as expectativas, as dificuldades e até a forma como se relacionam com o conhecimento. Uma metodologia que funcionou muito bem num determinado ano pode não produzir os mesmos resultados no seguinte. Ensinar exige, por isso, capacidade de observação, adaptação e renovação.
Preparar uma unidade curricular não deve significar apenas atualizar apresentações ou repetir o plano do ano anterior. É necessário voltar a perguntar: o que precisam realmente estes estudantes de aprender? Como podemos aproximar os conteúdos da realidade? Que atividades poderão ajudá-los a compreender, experimentar, questionar e aplicar o conhecimento?
Nas áreas da engenharia e da construção, esta ligação à prática é especialmente importante. Uma visita técnica, a análise de uma situação real, a identificação de uma não conformidade ou a resolução de um problema em grupo podem ensinar aquilo que dificilmente se transmite apenas através de uma apresentação. A teoria continua a ser indispensável, mas ganha outro significado quando os estudantes percebem onde e como pode ser aplicada.
Também considero importante criar espaço para pensar. Por vezes, a pressão para cumprir programas extensos leva-nos a avançar rapidamente de conteúdo em conteúdo. Porém, aprender não é apenas receber informação. É relacioná-la, questioná-la, testá-la e transformá-la em conhecimento próprio.
O início das aulas é, assim, uma oportunidade para reconstruir a relação entre ensinar e aprender. Os estudantes regressam para desenvolver novas competências, mas os docentes também regressam para escutar, ajustar e descobrir novas formas de ensinar.
Talvez esta seja uma das dimensões mais bonitas da educação: ninguém entra numa sala de aula sabendo exatamente como irá sair. Se existir abertura para o diálogo e para a aprendizagem mútua, todos podem terminar o semestre diferentes, incluindo quem ensina.
