Há algo que, ao longo do tempo, tenho percebido que não consigo verdadeiramente compreender: os ciúmes e a inveja no contexto profissional — e até pessoal.
Não é uma posição moral, nem um julgamento. É mesmo uma incapacidade genuína de entender.
Para mim, cada pessoa é o resultado de um percurso único. Um conjunto irrepetível de escolhas, oportunidades, dificuldades, aprendizagens, encontros e desencontros. Cada conquista tem uma história por trás — muitas vezes invisível — feita de esforço, resiliência, dúvidas e até sacrifícios que ninguém vê de fora.
Por isso, custa-me perceber como se pode invejar o lugar de alguém. Como se pode querer “ter o mesmo”, quando o caminho que levou até ali é impossível de replicar. Não há duas trajetórias iguais. Não há fórmulas copiáveis. Mesmo que se tentasse seguir exatamente os mesmos passos, o contexto, o tempo, as pessoas e as circunstâncias seriam sempre diferentes.
Talvez seja por isso que nunca senti essa necessidade de comparação. Em vez disso, sinto curiosidade. Interessa-me perceber o percurso dos outros, aprender com ele, inspirar-me — mas nunca medir-me por ele.
Porque, no fundo, acredito que há espaço para todos. Que o sucesso não é um recurso limitado. Que o crescimento de alguém não diminui o de outro — pelo contrário, muitas vezes expande possibilidades, abre caminhos e eleva o nível coletivo.
A nível pessoal e profissional, esta forma de estar torna tudo mais leve. Permite celebrar as conquistas dos outros com autenticidade. Permite focar no próprio caminho, nas próprias metas, no que faz sentido para nós.
E talvez seja isso que me faz continuar sem compreender a inveja.
Não por falta de exposição a ela, mas porque, quanto mais penso no assunto, mais me parece um esforço inútil — um desvio de energia que podia estar a ser canalizado para construir, aprender e evoluir.
No fim, cada um de nós está exatamente onde o seu percurso o levou.
E isso, só por si, já é mais do que suficiente.
