Hoje fala-se de sustentabilidade em todo o lado. Está nos discursos políticos, nas empresas, nas escolas, nas redes sociais. Tornou-se uma palavra quase obrigatória, associada a futuro, a responsabilidade, a consciência ambiental e social. Mas, muitas vezes, fico com a sensação de que estamos a embrulhar numa grande palavra algo que, no fundo, é muito mais simples: racionalidade.
Ser sustentável, na sua essência, é usar os recursos de forma racional. É não gastar hoje aquilo que vai fazer falta amanhã. É perceber que tudo tem um custo — ambiental, económico, social — mesmo quando esse custo não aparece imediatamente na nossa fatura mensal. Quando visto por este prisma, a sustentabilidade deixa de ser uma moda ou uma ideologia e passa a ser apenas… bom senso.
Durante muito tempo vivemos como se os recursos fossem infinitos. Construímos, consumimos, desperdiçámos, explorámos. Agora, quando surgem as consequências, damos-lhe um nome mais técnico, mais moderno, mais “vendável”: sustentabilidade. Mas aquilo que nos está realmente a ser pedido é algo muito antigo — agir com equilíbrio.
Ser sustentável não é apenas separar o lixo ou trocar lâmpadas. É também:
- construir melhor para não ter de reconstruir,
- investir com cabeça para não gastar duas vezes,
- planear para não viver sempre em modo de emergência,
- consumir o necessário em vez do supérfluo,
- cuidar hoje para não pagar amanhã.
Quando uma casa é bem pensada, quando uma obra é bem feita, quando um projeto é estruturado, quando uma organização funciona com método, isso também é sustentabilidade. Mesmo que ninguém lhe chame assim. Porque é racional.
Talvez o problema esteja precisamente aí: precisamos da palavra “sustentabilidade” porque, durante demasiado tempo, fomos profundamente irracionais. Agora tentamos voltar ao centro, ao equilíbrio, mas com uma linguagem nova, mais sofisticada.
No fundo, a verdadeira sustentabilidade não é viver com menos conforto, nem abdicar de tudo, nem voltar atrás no tempo. É viver com consciência, com critério e com responsabilidade. É perceber que cada escolha tem impacto e que esse impacto não desaparece só porque não o vemos de imediato.
Talvez um dia deixemos de precisar de falar tanto de sustentabilidade. Nesse dia, provavelmente, também já teremos aprendido a ser simplesmente… racionais.
