Hoje passei uma parte da manhã no lavadouro comunitário, a lavar ténis e tapetes.
Água limpa, sempre a correr, o sabão Clarim, a escova e com uma bela paisagem à mistura, assim, não só poupei a recursos como ganhei energia e recarreguei as baterias de pacientologia tão necessária nestas épocas.
Os lavadouros são locais simbólicos que guardam no silêncio, muitas histórias de guerra e paz das comunidades pois acabavam por ser um ponto de encontro das mulheres da comunidade.
Lavar a roupa era um processo bastante demorado, dava tempo para “lavar roupa suja” de variadíssimas formas.
Sendo uma tarefa repetitiva, exigia grandes esforços, desde o transportar a roupa à ida e à volta (ainda mais pesada), até ao ensaboar, esfregar na pedra áspera de granito e ao torcer. Depois de todo o processo era ainda necessário estender a roupa num sítio adequado para ficar a corar.
Recordo-me de passar as ferias com a minha avó no Terreiro das Bruxas e seguir um ritual de lavagem que ela verificava com muito mimo. Primeiro a roupa é colocada de molho, passado algum tempo vou esfregar e mesmo que já não esteja muito encardida é posta ao sol a corar, só depois de novamente esfregada, se enxagua e se estende a secar.
Os lavadouros foram muito utilizados antes de haver água canalizada e máquinas de lavar a roupa, estas que revolucionaram o dia a dia das mulheres domésticas de um trabalho que era bastante duro e ingrato, especialmente em dias de inverno.
Os lavadouros eram um local que facilitava uma tarefa comum e quase quotidiana, onde se juntavam várias mulheres ou raparigas, sempre em ambiente de conversa, com boatos e mexericos na ordem-do-dia, em alguns casos até se cantava e muitos namoros se aconteciam por ali. Assim transformava-se uma tarefa ingrata num momento de alegria, de convívio, de confessionário, de galanteio, etc.
Teias Convida a partilhar alguma historia passada num lavadouro comunitário?
