À primeira vista, falar de um robô humanoide e de construção humanizada pode parecer contraditório. Associamos frequentemente a humanização à proximidade, à empatia e às relações entre pessoas, enquanto os robôs são vistos como símbolos de automação e substituição do trabalho humano.
Mas será inevitavelmente assim?
Um robô humanoide pode ser utilizado não para substituir pessoas, mas para criar novas formas de interação, aprendizagem e participação. A questão central não está apenas na tecnologia, mas no propósito que definimos para a sua utilização.
Na educação e formação para a construção, um robô poderá apresentar desafios, simular diálogos com diferentes profissionais, apoiar a avaliação de competências ou ajudar a demonstrar procedimentos. Poderá tornar determinados conteúdos mais atrativos e acessíveis, sobretudo para públicos que habitualmente se sentem afastados da linguagem técnica.
Também poderá apoiar atividades de investigação. Imagine-se um robô a interagir com participantes num laboratório de aprendizagem, a recolher respostas estruturadas ou a adaptar perguntas em função das dificuldades identificadas. Poderá ainda contribuir para estudar a forma como diferentes pessoas reagem à tecnologia e como esta pode ser integrada em ambientes de trabalho e de formação.
Existem, naturalmente, questões importantes. Quem programa o robô? Que dados recolhe? Como são protegidos? As suas respostas são transparentes? É acessível a pessoas com diferentes capacidades? E, sobretudo, resolve uma necessidade real ou é apenas utilizado porque representa uma novidade?
A inovação não deve ser medida pelo grau de surpresa que provoca. Uma tecnologia só cria verdadeiro valor quando melhora um processo, responde a um problema ou permite alcançar pessoas que, de outra forma, poderiam ficar excluídas.
Na construção, precisamos de inovação tecnológica, mas também de pensamento crítico. Precisamos de saber onde a automação é útil, onde a presença humana é insubstituível e como ambas podem trabalhar em conjunto.
Um robô humanoide não torna automaticamente um projeto mais humano. Porém, se for utilizado para aproximar o conhecimento das pessoas, melhorar a aprendizagem, estimular a participação e apoiar contextos inclusivos, poderá contribuir para essa humanização.
Talvez a pergunta não seja se os robôs irão ocupar o nosso lugar. A pergunta mais interessante será: que lugar queremos atribuir-lhes numa sociedade em que a tecnologia deve permanecer ao serviço das pessoas?
