Nas últimas semanas tenho estado envolvida na preparação de duas candidaturas europeias. Embora sejam completamente distintas — quer na temática, quer no programa de financiamento, quer nos parceiros envolvidos — há um conjunto de princípios que se repetem e que, na minha opinião, fazem toda a diferença entre uma candidatura construída de forma consistente e uma candidatura feita à pressa.
O primeiro é definir, desde o início, um conceito comum. Antes de pensar em pacotes de trabalho, orçamento ou cronogramas, todos os parceiros precisam de responder à mesma pergunta: o que queremos realmente alcançar? Quando existe uma visão partilhada, cada decisão passa a ser muito mais simples e coerente.
O segundo princípio passa por fechar o consórcio o mais cedo possível. A tentação de continuar à procura do “parceiro perfeito” pode prolongar-se demasiado e acabar por comprometer o tempo disponível para desenvolver a proposta. Um consórcio sólido, equilibrado e comprometido vale muito mais do que um consórcio numeroso definido nos últimos dias antes da submissão.
Por fim, existe um aspeto que considero decisivo: a escrita da candidatura deve ser verdadeiramente colaborativa. Não faz sentido concentrar todo o trabalho numa única instituição ou num único coordenador. Cada parceiro conhece melhor do que ninguém a sua área de especialização e pode acrescentar valor à proposta. Distribuir responsabilidades, estabelecer prazos claros e promover revisões conjuntas não só melhora a qualidade do texto como aumenta o sentimento de compromisso de todos os envolvidos.
No final, uma candidatura competitiva não nasce apenas de uma boa ideia. Nasce de uma equipa alinhada, de uma organização eficaz e de uma visão comum sobre o impacto que pretende alcançar.
Talvez esta seja uma das maiores lições que os projetos europeus nos ensinam: antes de escrever uma proposta, é preciso construir uma equipa que escreva na mesma direção.
