A recente notícia sobre a criação de uma universidade politécnica no Ribatejo, com sede em Santarém e foco nas áreas da tecnologia e engenharia, é daquelas que merece ser celebrada — e refletida.
Enquanto ribatejana, é impossível não sentir um orgulho especial. Durante muitos anos, a região foi sendo vista como periférica em termos de ensino superior especializado, sobretudo em áreas técnicas. Esta nova instituição representa não apenas um investimento na educação, mas também um sinal claro de confiança no potencial do Ribatejo.
E enquanto engenheira, a pergunta surge quase naturalmente: será que posso contribuir?
A resposta, à partida, é sim — e mais do que isso, talvez seja exatamente esse o espírito que deve acompanhar o nascimento de um projeto desta natureza.
Uma universidade com foco em tecnologia e engenharia não se constrói apenas com edifícios, planos curriculares e equipamentos. Constrói-se com pessoas. Com experiência no terreno, com ligação à realidade empresarial, com conhecimento prático e vontade de partilhar.
É aqui que profissionais no ativo podem ter um papel determinante.
Contribuir pode assumir várias formas:
- Participar como formadora ou convidada em áreas específicas
- Colaborar em projetos aplicados com alunos
- Estabelecer pontes entre academia e empresas
- Ajudar a orientar conteúdos para as necessidades reais do mercado
Num setor em constante evolução, como o da engenharia, esta ligação entre o mundo académico e a prática é essencial. E talvez esta nova universidade tenha precisamente a oportunidade de nascer já com essa proximidade como base.
Além disso, há um impacto mais amplo a considerar. Fixar talento na região, atrair investimento, criar massa crítica e dinamizar o tecido económico local são consequências naturais de um projeto bem estruturado. O Ribatejo pode, assim, afirmar-se cada vez mais como um polo relevante na área tecnológica.
Mas para isso, será necessário mais do que infraestruturas — será necessária comunidade.
A vontade de contribuir, de participar e de fazer parte é, por isso, um excelente ponto de partida. Porque, no fundo, esta universidade não será apenas “no” Ribatejo — deverá ser construída “pelo” Ribatejo.
E talvez esta seja mesmo a pergunta certa: não apenas “será que posso contribuir?”, mas “como quero contribuir?”
