Universidade: um destino ou apenas o início da viagem?

by Susana Lucas
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Estamos naquela altura do ano em que muitos jovens — e respetivas famílias — vivem entre expectativas, dúvidas e decisões. Ir para a universidade? Escolher que curso? E se afinal não for “a escolha certa”? E se ainda nem soubermos bem o que queremos ser?

Talvez aqui esteja uma pressão desnecessária que colocamos demasiado cedo sobre quem está precisamente numa fase de descoberta.

Nem todos sabem, aos 17 ou 18 anos, qual será o seu caminho profissional. E sinceramente? Isso é perfeitamente normal.

Se há quem já tenha uma vocação clara, extraordinário. Quem sabe desde cedo que quer ser médico, engenheiro, arquiteto, professor ou investigador tem uma vantagem importante: foco.

Mas muitos outros — onde me incluo quando olho para trás — não tinham exatamente uma profissão desenhada na cabeça. O que existia era curiosidade. Vontade de aprender. Interesse por perceber como funcionam as coisas. E talvez isso também seja uma excelente bússola.

Porque a universidade, no meu entendimento, é muito mais do que um espaço para obter um diploma.

É um lugar onde se constroem redes de contactos, sim, mas também algo talvez ainda mais importante: redes neurais.

As primeiras ajudam-nos ao longo da vida profissional. Conhecemos colegas que mais tarde serão parceiros, colaboradores, decisores, empreendedores, amigos. Pessoas com quem cruzaremos projetos, ideias e oportunidades.

As segundas — as redes neurais do nosso próprio cérebro — expandem-se com novos estímulos, novas disciplinas, novas formas de pensar e de questionar. Aprendemos a resolver problemas de forma diferente. A lidar com complexidade. A ouvir perspetivas distintas. A descobrir que muitas perguntas têm mais do que uma resposta possível.

E talvez seja precisamente esse um dos maiores ganhos do ensino superior: não apenas aquilo que aprendemos tecnicamente, mas a forma como passamos a pensar.

Nem sempre o curso define a vida inteira. Muitas vezes define apenas a primeira linguagem com que aprendemos a interpretar o mundo.

Quantas pessoas conhecemos que hoje trabalham em áreas completamente distintas da sua formação inicial? E quantas dessas mudanças aconteceram precisamente porque a universidade lhes abriu horizontes que antes nem imaginavam?

Ir para a universidade não tem de ser uma decisão perfeita. Tem de ser, acima de tudo, uma decisão de crescimento.

E mesmo para quem mais tarde escolha outro caminho — empreendedorismo, formação técnica, experiências internacionais, trabalho direto no terreno — o importante continua a ser o mesmo: continuar a aprender.

Porque, no fundo, talvez a verdadeira profissão de alguns de nós seja mesmo esta: aprender continuamente.

E isso, felizmente, não tem data de conclusão.

Na foto estou com um grupo de alunos em visita técnica a obras, é sempre com muito gosto que vão!

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