No passado dia 1 de agosto, entrou em vigor uma alteração histórica para o ensino superior português: os Institutos Politécnicos passaram a designar-se Universidades Politécnicas, aproximando-se da realidade existente em muitos países europeus.
Vejo esta mudança com satisfação. Não apenas pela alteração do nome, mas porque representa o reconhecimento da evolução que o ensino politécnico tem vindo a realizar nas últimas décadas. Hoje, estas instituições desenvolvem investigação científica, coordenam projetos nacionais e internacionais, estabelecem fortes ligações ao tecido empresarial e desempenham um papel fundamental na formação de profissionais altamente qualificados.
Contudo, espero sinceramente que esta transformação vá muito além da designação institucional.
Naturalmente, um dos aspetos mais visíveis será a possibilidade de reforçar a oferta de programas de doutoramento, contribuindo para consolidar a capacidade científica destas instituições. Mas acredito que esta evolução deve ser acompanhada por uma harmonização mais abrangente do sistema de ensino superior.
Uma das questões que considero importante é a evolução das carreiras docentes. Atualmente, continua a existir uma diferença entre a categoria de Professor Adjunto, característica do ensino politécnico, e a de Professor Auxiliar, existente nas universidades. Em particular para os docentes doutorados, esta continua a ser uma etapa da carreira que não encontra uma correspondência direta entre os dois subsistemas.
Num contexto em que as instituições desenvolvem investigação, orientam estudantes de doutoramento, coordenam projetos competitivos e colaboram internacionalmente, parece natural refletir sobre a convergência das estruturas de carreira, valorizando as competências e as responsabilidades efetivamente desempenhadas.
Estou certa de que esta será apenas uma das muitas matérias que terão de ser cuidadosamente harmonizadas ao longo dos próximos anos. Uma alteração desta dimensão não se resume à mudança de uma designação; implica rever modelos organizacionais, enquadramentos legais, percursos profissionais e mecanismos de avaliação, garantindo que a transição seja coerente e equilibrada.
Acredito que esta é uma oportunidade para fortalecer o ensino superior português, respeitando a identidade e a missão das atuais Universidades Politécnicas, mas também criando condições para que docentes, investigadores e estudantes possam desenvolver o seu trabalho num sistema cada vez mais integrado, reconhecido e competitivo à escala europeia.
Mais do que uma mudança de nome, espero que este seja o início de uma nova etapa de valorização institucional, científica e humana para todo o ensino superior português.
